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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Bradesco não prioriza adesão ao Desenrola 3.0, diz presidente

O banco avalia a proposta, mas diz não ver motivo para grande participação; o governo prevê leilão de carteiras de dívidas a partir de novembro.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fachada de um banco com pedestres passando pela calçada. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fachada de um banco com pedestres passando pela calçada.
Resumo em 30 segundos

Marcelo Noronha afirmou que o Bradesco avalia o Desenrola 3.0, mas não considera a adesão uma prioridade. O programa prevê que o governo compre carteiras de dívidas em leilão e repasse os descontos aos devedores. A etapa atual habilita os credores, sem abrir renegociações para consumidores.

O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que a adesão do banco ao Desenrola 3.0 não é prioridade, embora a instituição esteja avaliando a proposta. A nova etapa do programa prevê que o governo compre, por meio de leilões, carteiras de dívidas atrasadas de bancos e instituições financeiras, para depois viabilizar a renegociação com os devedores.

Noronha disse que a análise interna não identificou razões para um envolvimento expressivo do Bradesco. Segundo ele, o banco não tem adotado a venda de carteiras inadimplentes como estratégia principal e considera que o mercado dispõe de outras formas de lidar com a falta de pagamento.

A iniciativa está em fase de habilitação dos credores. Bancos, instituições financeiras e fundos têm cinco dias úteis para informar ao governo quanto pretendem oferecer. A primeira etapa poderá reunir até R$ 90 bilhões em dívidas, conforme estimativa do Ministério da Fazenda; essa fase não significa que consumidores já possam solicitar renegociações.

O modelo difere das etapas anteriores, nas quais os devedores negociavam diretamente com os credores. Agora, a União pretende selecionar carteiras em leilão e repassar aos consumidores os descontos obtidos na compra. O edital exige abatimento mínimo de 90% sobre o valor nominal das dívidas, mas o governo busca ofertas com descontos maiores.

O Desenrola 3.0 prevê débitos elegíveis de pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs). Entre os critérios estão dívidas de até R$ 10 mil em valor original, atrasadas de 720 a 1.645 dias, de cartão de crédito ou crédito pessoal sem consignação em folha. A prioridade deve ser para pessoas de menor renda e MEIs; se houver volume insuficiente nessa faixa, o governo poderá ampliar a seleção para consumidores com renda mais alta.

O leilão está previsto para novembro, com possibilidade de adiamento para o início de dezembro. Depois da compra, o pagamento das dívidas poderá ser feito à vista ou parcelado, com cobrança de juros nessa segunda modalidade. Taxas, prazos e outros procedimentos ainda dependem de definições do Conselho Monetário Nacional e da regulamentação do programa.

Ao comentar o cenário econômico, Noronha afirmou que a conjuntura política não muda os planos estratégicos do banco. Ele disse que uma política fiscal ajustada no próximo governo poderia contribuir para a redução dos juros no médio prazo. Também avaliou que o setor enfrentará pressão da inadimplência e do custo do crédito, em um contexto de renda familiar comprometida e expectativa de crescimento econômico mais lento.

O Bradesco informou lucro líquido consolidado de R$ 7,435 bilhões no terceiro trimestre, alta de 33,54% em relação ao mesmo período do ano anterior. A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,15 trilhão. No mesmo período, a taxa de atrasos entre 15 e 90 dias passou de 4% em junho para 4,2% em setembro, e as despesas com provisões para perdas de crédito subiram 24,80% em um ano, para R$ 8,48 bilhões.

Fontes: O Globo, Gazeta do Povo

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