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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Bayer vence júri em ação sobre risco de câncer do Roundup

As três mulheres alegavam ter desenvolvido linfoma não Hodgkin após exposição ao herbicida; o júri rejeitou a tese de defeito de projeto.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Trator aplica herbicida em uma lavoura, com fileiras de plantas ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Trator aplica herbicida em uma lavoura, com fileiras de plantas ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Um júri de St. Louis decidiu a favor da Bayer em uma ação movida por três mulheres que atribuíram ao Roundup o desenvolvimento de linfoma não Hodgkin. O caso discutiu se o herbicida tinha defeito de projeto, uma tese diferente das ações sobre falta de advertências nos rótulos. A empresa ainda enfrenta cerca de 65 mil processos.

Um júri de St. Louis, no estado americano do Missouri, decidiu na quinta-feira a favor da Bayer em um processo movido por três mulheres que atribuíram ao herbicida Roundup o desenvolvimento de câncer. A decisão rejeitou a alegação de que o produto tinha defeito de projeto e não deveria ter sido vendido. Uma das autoras, Cynthia Fernandez, morreu antes do julgamento; as outras são Theresa Aretino e Betty Larkin.

As três mulheres afirmaram ter desenvolvido linfoma não Hodgkin após exposição ao Roundup. Esse tipo de câncer afeta o sistema linfático, parte do organismo que participa da defesa contra infecções. As autoras optaram por não participar do acordo coletivo proposto pela Bayer para resolver ações atuais e futuras relacionadas ao herbicida.

O julgamento apresentou um argumento diferente das ações baseadas na falta de advertência nos rótulos. Os advogados das mulheres sustentaram que o Roundup era perigosamente inseguro por causa de falhas de projeto. A Bayer contestou a acusação e afirmou que as autoras não provaram que o produto deveria ser retirado do mercado, citando avaliações de segurança da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês).

O veredicto é o primeiro julgamento sobre essa linha de argumentação desde que, em junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou efetivamente processos que alegavam que a empresa deixou de alertar nos rótulos sobre risco de câncer. A decisão da corte não encerrou todas as disputas judiciais: o caso de St. Louis testou uma tese jurídica distinta.

A Bayer afirma ter vencido 17 dos 25 julgamentos mais recentes envolvendo o Roundup, mas ainda enfrenta cerca de 65 mil ações pendentes. Desde a compra da Monsanto, em 2018, os litígios ligados ao herbicida já custaram mais de US$ 11 bilhões à companhia. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde, classifica o glifosato, ingrediente do Roundup, como provavelmente cancerígeno para humanos. A Bayer, por sua vez, cita estudos científicos e avaliações regulatórias para defender a segurança do produto.

A empresa busca encerrar a maior parte dos processos por meio de um acordo coletivo de US$ 7,25 bilhões, que recebeu aprovação preliminar em março. A decisão final cabe a um juiz estadual do Missouri e ainda é aguardada. O resultado do julgamento foi apontado por representantes da companhia como um sinal de que os autores de novas ações terão obstáculos para demonstrar que suas reivindicações são juridicamente válidas e sustentadas por provas.

Para entender

Linfoma não Hodgkin
Grupo de cânceres que se originam em células do sistema linfático, parte do organismo envolvida na defesa contra infecções. Há diferentes tipos, que podem se comportar de maneiras distintas.
Glifosato
Substância química usada como ingrediente ativo em herbicidas, entre eles o Roundup. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, classifica o glifosato como provavelmente cancerígeno para humanos.

Fontes: O Globo, Zero Hora

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