Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Economia argentina de Milei amplia emprego em Neuquén e perde vagas no país

Desde que Milei assumiu, mais de 265 mil empregos privados formais desapareceram; o petróleo e o gás impulsionam contratações em Neuquén.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Instalações de extração de petróleo em Vaca Muerta, na paisagem da Patagônia argentina. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Instalações de extração de petróleo em Vaca Muerta, na paisagem da Patagônia argentina.
Resumo em 30 segundos

A expansão de Vaca Muerta favorece o emprego e os negócios em Neuquén, mas os ganhos não se espalham pelo país. Desde que Javier Milei assumiu, a Argentina perdeu mais de 265 mil postos privados formais e mais de 32 mil empresas fecharam. A inflação caiu, mas a previsão de crescimento para 2026 foi reduzida.

A economia argentina sob o governo de Javier Milei apresenta resultados muito diferentes conforme o setor e a região: enquanto o petróleo e o gás impulsionam contratações e negócios na província de Neuquén, empresas fecham e empregos formais desaparecem em grande parte do país. Desde que Milei assumiu, a Argentina perdeu mais de 265 mil postos de trabalho privados, e apenas quatro das 23 províncias, além da cidade de Buenos Aires, registraram aumento no emprego formal privado.

A expansão de Vaca Muerta, formação de xisto que concentra projetos de exploração de petróleo e gás, atrai trabalhadores e investimentos para a Patagônia. Neuquén, onde fica a área, registra o crescimento mais rápido entre as províncias. O movimento também cria demanda por serviços, como transporte de valores, moradia e comércio, mas os ganhos ainda não se espalham de maneira uniforme pela economia argentina.

Diego Esquivel, de 38 anos, mudou-se de Buenos Aires para Neuquén para administrar um complexo residencial voltado a trabalhadores do setor petrolífero. Ele disse que seu salário triplicou em seis meses e que passou a conseguir contribuir para as despesas universitárias da filha. Antes, recebia US$ 900 por mês em uma empresa de serviços de saúde e, segundo ele, tinha dificuldade para pagar as contas.

O caso contrasta com a situação de trabalhadores e pequenos negócios na capital e em outras áreas metropolitanas. Mais de 32 mil empresas fecharam desde o início do governo Milei, e o total de empregadores privados caiu ao menor nível desde 2007. A perda de vagas formais foi parcialmente compensada por ocupações informais, que absorveram quase o mesmo número de trabalhadores, mas costumam pagar menos.

Roberto Ambrosio, ex-operador da fábrica de pneus FATE, em Buenos Aires, perdeu o emprego após o fechamento da unidade em fevereiro, depois de 80 anos de funcionamento. Ele fazia 1,6 milhão de pesos por mês e hoje realiza trabalhos de pintura; disse que, quando consegue serviço, pode ganhar 300 mil pesos. A fábrica empregava quase mil pessoas e também era fonte de clientes para negócios próximos, entre eles uma loja de produtos de limpeza que estima ter perdido 30% das vendas desde que Milei assumiu.

A abertura da economia ao comércio exterior, incluindo a importação de pneus, expôs a FATE à concorrência externa. A fábrica tornou-se um exemplo dos efeitos da mudança sobre a indústria e os empregos, embora também simbolizasse um modelo protecionista que, segundo a reportagem, elevava os preços de produtos cotidianos. Para trabalhadores como Ambrosio, a transição significou a perda de uma remuneração formal sem uma alternativa equivalente.

Os indicadores nacionais mostram um quadro misto. A inflação, que chegou perto de 300%, está em torno de 30%, e a economia provavelmente cresceu por dois anos consecutivos. A pobreza caiu ao menor nível em uma década, as principais agências de classificação elevaram a nota da dívida soberana e um programa de incentivos a investimentos aprovou 27 projetos, com aportes previstos de US$ 76 bilhões; outras propostas, de US$ 133 bilhões, estão em análise.

Esses números não eliminam os sinais de desaceleração. Milei havia projetado expansão de 5% para 2026 no orçamento apresentado no ano passado, mas a previsão atual é de crescimento de 1,5%. Os dados de julho registraram a maior queda mensal desde a pandemia de Covid-19, e a economia provavelmente encolheu entre abril e setembro, período que pode configurar uma recessão técnica — definida quando há contração por dois trimestres consecutivos.

Em setembro, 39% dos argentinos aprovavam o governo, ante 43% no início do ano, segundo pesquisa LatAm Pulse, da AtlasIntel. A avaliação política importa porque a eleição presidencial está prevista para o próximo ano. Milei venceu em 2023 em distritos antes dominados pelo peronismo, mas o desempenho econômico e a capacidade de distribuir os ganhos para além dos setores de energia podem influenciar seu apoio.

Em Neuquén, o crescimento também pressiona a infraestrutura e os serviços públicos. A província recebeu 21 mil novos moradores no ano passado e iniciou a construção de 160 salas de aula. O governador Rolando Figueroa alertou que conseguir emprego em Vaca Muerta exige qualificação e pediu cautela diante de relatos sobre a quantidade de vagas. A chegada à região, por si só, não garante trabalho, e o custo de vida mais alto reduz parte da vantagem dos salários maiores.

A disparidade entre regiões é visível também nas empresas que tentam acompanhar o boom. Matias Pizzio abriu neste ano uma unidade de sua companhia de transporte de valores em Neuquén, atraído pela demanda de uma comunidade mais próspera. Já o empresário Carlos Isa, que se mudou para a província para atuar com equipamentos de movimentação de terra, disse que os negócios não cresceram como esperava e que os custos locais são altos. O avanço do petróleo, portanto, cria oportunidades, mas não assegura ganhos para todos os trabalhadores ou empreendedores.

Para entender

Vaca Muerta
Formação geológica de xisto na província de Neuquén, na Patagônia, com grandes reservas de petróleo e gás. Sua exploração atrai investimentos e trabalhadores e movimenta atividades ligadas à energia e a serviços locais.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também