Fundos de crédito privado têm resgate líquido de R$ 10,9 bi
As retiradas superaram as aplicações em outubro, após quatro meses de recuperação; no acumulado de 2026, porém, a captação segue positiva em R$ 40,9 bilhões.
Resumo em 30 segundos
Fundos de crédito privado tiveram resgates líquidos de R$ 10,9 bilhões em outubro, o segundo pior resultado mensal do ano. Os fundos de infraestrutura também registraram saídas, de R$ 5,1 bilhões, no sétimo mês consecutivo de saldo negativo. No acumulado de 2026, o crédito privado ainda tem captação líquida positiva.
Fundos de crédito privado registraram resgates líquidos de R$ 10,9 bilhões em outubro, interrompendo quatro meses de recuperação. Foi o segundo pior resultado mensal do ano, atrás apenas de maio, quando as retiradas superaram as aplicações em R$ 13,8 bilhões. Os dados fazem parte de relatório de pesquisa do Banco ABC Brasil divulgado na terça-feira (3).
Apesar da saída em outubro, os fundos de crédito privado acumulam captação líquida positiva de R$ 40,9 bilhões em 2026. A análise considera 1.792 fundos, com patrimônio líquido conjunto de R$ 2,66 trilhões. Captação líquida é a diferença entre os recursos aplicados e os resgatados em determinado período.
Os fundos de infraestrutura também tiveram saldo negativo: os resgates líquidos chegaram a R$ 5,1 bilhões no mês, o sétimo consecutivo de retiradas. Com isso, o segmento acumula perdas líquidas de R$ 17,7 bilhões no ano. Esses fundos investem em debêntures incentivadas, títulos de dívida de empresas usados para financiar projetos de infraestrutura e que contam com incentivo fiscal. O levantamento acompanha 2.139 fundos, com patrimônio de R$ 312 bilhões, sem incluir fundos de tesouraria.
A saída ocorreu em um mês de volatilidade no mercado de crédito privado, em meio às eleições. Os prêmios de risco das debêntures de infraestrutura alcançaram 0,73 ponto percentual em meados de outubro, maior nível desde fevereiro de 2024, e recuaram para 0,47 ponto percentual depois do segundo turno. O prêmio é a remuneração adicional exigida pelos investidores em relação a uma referência de mercado para compensar o risco do título.
Segundo Odilon Costa, responsável pela área de pesquisa do ABC Brasil, a queda no fim do mês foi influenciada por fundos que precisavam comprar títulos para adequar as carteiras aos limites de investimento. Ele avalia que o desempenho negativo dos fundos de infraestrutura em outubro pode continuar afetando a captação em novembro.
Nas debêntures remuneradas pelo CDI, os prêmios de risco subiram 0,14 ponto percentual ao longo do mês. Papéis de empresas como Hapvida, Qualicorp e Armac passaram a ser negociados com prêmios maiores. O CDI é uma taxa de referência usada em investimentos de renda fixa.
As emissões de títulos somaram R$ 44 bilhões em outubro, abaixo dos R$ 48,1 bilhões de setembro, com concentração em crédito estruturado e Fiagros de grandes instituições financeiras. As debêntures corporativas atreladas ao CDI totalizaram R$ 15,5 bilhões, dos quais 58% foram distribuídos a investidores. Já as debêntures incentivadas somaram R$ 2,6 bilhões em emissões, com 12% distribuídos a mercado.
Os Fiagros de papel da amostra tiveram resgate líquido de R$ 1,2 milhão. O cálculo inclui 42 fundos, com patrimônio de R$ 15,8 bilhões, mas não considera ofertas encerradas de fundos do Itaú e da XP nem ofertas em andamento do Itaú e do BTG.