Banco central da Colômbia mantém juros em 12,25% e compra US$ 2 bi
A decisão foi dividida, com quatro votos pela manutenção e três por uma alta; a compra de dólares será feita diretamente do governo até dezembro.
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O Banco de la República manteve a taxa básica de juros da Colômbia em 12,25% ao ano, em votação de quatro a três. O banco também anunciou que comprará US$ 2 bilhões do governo até o fim de 2026 para ampliar as reservas internacionais. A inflação anual chegou a 6,3% em setembro.
O Banco de la República, banco central da Colômbia, manteve a taxa básica de juros em 12,25% ao ano, em decisão dividida anunciada nesta sexta-feira. Quatro integrantes do conselho diretor votaram pela manutenção, enquanto três defenderam elevar a taxa em 0,25 ponto percentual.
A autoridade monetária afirmou que o nível atual mantém a política em território restritivo e é compatível com a expectativa de que a inflação diminua em 2027. As próximas decisões, segundo o conselho, dependerão das informações econômicas que forem divulgadas.
A inflação anual colombiana subiu ligeiramente em setembro e chegou a 6,3%. O banco central apontou o fenômeno climático El Niño como um risco de alta para os preços. As expectativas dos analistas para a inflação em dezembro de 2026 avançaram para 6,9%, enquanto as projeções para daqui a dois anos ficaram perto de 4%.
O conselho também destacou a situação das contas públicas como fator importante para o desempenho futuro da economia e para o esforço de levar a inflação à meta. Indicadores de demanda interna, acrescentou, sugerem que o crescimento econômico anual desacelerou no terceiro trimestre em comparação com o trimestre anterior.
Além da decisão sobre os juros, o banco anunciou que comprará US$ 2 bilhões diretamente do governo colombiano até o fim deste ano. A operação tem o objetivo de ampliar as reservas internacionais, que funcionam como uma proteção financeira para o país diante de choques externos e períodos de instabilidade nos mercados.
A compra faz parte de um programa de acumulação de reservas iniciado pelo banco central em agosto de 2026. A instituição justificou a medida pela incerteza internacional, pelas taxas de juros elevadas em diversas economias e pelas condições financeiras restritivas.
A taxa de referência é o principal instrumento de política monetária: ao mantê-la elevada, o banco central busca conter a demanda e reduzir a pressão sobre os preços. Juros mais altos também podem encarecer empréstimos e desacelerar o consumo e os investimentos. A votação dividida indica que parte do conselho avaliou que as pressões inflacionárias justificavam um aumento imediato, embora a maioria tenha optado por aguardar novos dados.
A decisão ocorre em meio à expectativa de inflação acima das projeções de longo prazo e à preocupação com o impacto do El Niño. O banco central não anunciou uma trajetória predeterminada para os juros e condicionou os próximos passos à evolução dos indicadores econômicos.