Audi reduz previsão de receita e lucro e amplia cortes de custos
A montadora estima receita de 55 bilhões a 59 bilhões de euros em 2026; Gernot Döllner diz que a empresa vai priorizar eficiência e produtividade.
Resumo em 30 segundos
A Audi cortou suas projeções para receita, margem operacional e fluxo de caixa líquido em 2026, após queda nos resultados dos primeiros nove meses. A montadora planeja reduzir custos e a complexidade das operações, enquanto enfrenta desaceleração na China, concorrência maior e desafios na transição para veículos elétricos.
A Audi reduziu nesta sexta-feira (30) as projeções financeiras para este ano e anunciou que vai intensificar medidas para cortar custos e elevar a eficiência. A montadora alemã, que faz parte do Grupo Volkswagen, informou a mudança após quedas nas entregas de veículos, na receita e no lucro operacional nos primeiros nove meses do ano, em meio à piora das condições de mercado.
A empresa agora prevê receita entre 55 bilhões e 59 bilhões de euros, abaixo da faixa anterior, de 58 bilhões a 63 bilhões. A estimativa para a margem operacional caiu de 5% a 7% para 3% a 5%. Já a projeção de fluxo de caixa líquido passou de 3 bilhões a 4 bilhões de euros para 2,5 bilhões a 3,5 bilhões.
Entre janeiro e setembro, o lucro operacional foi de 1,15 bilhão de euros, ante 1,56 bilhão no mesmo período do ano anterior. A receita recuou 13%, para 42,06 bilhões de euros, e a margem operacional ficou em 2,7%, ante 3,2%. O fluxo de caixa líquido somou 2,44 bilhões de euros.
Em comunicado, o presidente-executivo da Audi, Gernot Döllner, afirmou que a conjuntura econômica exige uma renovação consistente da empresa. “Para isso, estabelecemos prioridades claras: reduzir custos e, ao mesmo tempo, elevar a qualidade e a produtividade”, disse.
A montadora pretende reduzir custos e a complexidade de suas operações, direcionando investimentos para produtos e tecnologias, como software, inteligência artificial e sistemas de assistência ao motorista. A companhia também quer ampliar sua presença em mercados considerados estratégicos e adaptar novos modelos às necessidades de seus principais consumidores.
O diretor financeiro, Juergen Rittersberger, afirmou que o cenário ficou mais difícil, sobretudo no terceiro trimestre. Segundo ele, as medidas adotadas estão produzindo efeitos, mas a pressão competitiva exige novas ações. A empresa informou que discutirá iniciativas adicionais para manter a competitividade e os empregos em suas unidades alemãs com representantes dos trabalhadores.
A Audi enfrenta desaceleração na China e concorrência crescente, inclusive de marcas chinesas na Europa. A transição para veículos elétricos no mercado europeu também aumenta os desafios. A empresa atribuiu parte das pressões sobre os resultados à alta dos custos de energia, relacionada ao conflito no Oriente Médio, às tarifas dos Estados Unidos e à mudança para uma nova linha de veículos de entrada.
A fabricante já vinha adotando medidas para reduzir despesas. No ano passado, encerrou a fábrica de Bruxelas e anunciou planos de eliminar até 7.500 postos de trabalho nos anos seguintes. Também definiu mudanças para elevar produtividade, agilidade e flexibilidade nas unidades alemãs, com a meta de economizar mais de 1 bilhão de euros por ano a médio prazo.
Entre as iniciativas recentes, a empresa lançou a marca AUDI, voltada exclusivamente ao mercado chinês, e planeja uma fábrica nos Estados Unidos. O investimento previsto é de US$ 4 bilhões, e a unidade poderá produzir até 200 mil veículos por ano a partir da década de 2030. O plano inclui um SUV premium desenvolvido para consumidores norte-americanos e fabricado localmente.