Ataque a tiros em igreja na Jordânia deixa nove mortos
O ataque ocorreu durante um funeral na sexta-feira; até sábado, não havia prisões nem atribuição oficial dos suspeitos a uma organização específica.
Resumo em 30 segundos
Nove pessoas morreram e outras ficaram feridas em um ataque a tiros durante um funeral na Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge, no sul da Jordânia. Três homens armados são procurados. O rei Abdullah II e líderes cristãos condenaram a violência e defenderam a unidade entre as comunidades.
Nove pessoas morreram em um ataque a tiros durante um funeral na Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge, em Hamoud, no sul da Jordânia, na sexta-feira. Os disparos também deixaram feridos, e as autoridades jordanianas mantêm buscas pelos responsáveis e investigam o caso.
Três homens chegaram ao local em uma caminhonete azul. Um deles usava máscara e portava um fuzil Kalashnikov; os outros dois estavam com o rosto descoberto e levavam pistolas. O tiroteio começou perto da entrada principal, onde pessoas enlutadas estavam reunidas.
Relatos sobre o ataque indicam que os homens tinham grande quantidade de munição e trocaram os carregadores das armas várias vezes. Algumas vítimas teriam sido atingidas novamente depois de cair no chão. Os mortos estavam perto da entrada da igreja quando os disparos começaram.
O ministro do Interior da Jordânia, Mazen al-Faraya, classificou o ataque como um ato terrorista cometido por um grupo extremista. O diretor de Segurança Pública, major-general Obeidallah al-Maaytah, afirmou que as autoridades trabalham para reunir informações, identificar os suspeitos e levá-los à Justiça.
Até a manhã de sábado, o governo não havia associado oficialmente os autores a uma organização específica nem anunciado prisões. Informações atribuídas a fontes governamentais e de segurança jordanianas apontaram que os suspeitos seguiriam uma ideologia takfiri, corrente extremista que considera outros muçulmanos infiéis. Um promotor determinou que detalhes da investigação não sejam publicados enquanto as buscas prosseguem.
O rei Abdullah II afirmou que os responsáveis enfrentarão as penas mais severas. “Aqueles que imaginaram que balas traiçoeiras poderiam dividir os jordanianos foram frustrados por nossa resiliência e unidade”, declarou, ao defender a solidariedade entre os cidadãos.
Líderes cristãos da região condenaram o ataque e manifestaram apoio às famílias das vítimas, aos feridos e à Igreja Ortodoxa Grega na Jordânia. Patriarcas e chefes de igrejas em Jerusalém descreveram a violência contra pessoas reunidas em oração como “um crime grave contra Deus e a humanidade”.
O Patriarcado Latino de Jerusalém afirmou que o ataque violou a santidade dos locais de culto e o direito à vida e à liberdade religiosa. Já o Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém, sob cuja jurisdição está a igreja atingida, declarou que a violência não eliminará a presença cristã nem os vínculos da comunidade com o país.
O Conselho de Igrejas da Jordânia disse que o ataque ameaça a paz social e a convivência entre comunidades. As manifestações de solidariedade também vieram de outras igrejas e instituições religiosas da região, que pediram proteção aos locais de culto e rejeitaram o extremismo e o discurso de ódio.
Em resposta a um chamado dos líderes religiosos, sinos tocaram ao meio-dia de sábado na Jordânia e na Palestina em memória dos mortos e em solidariedade às famílias e aos feridos. As autoridades continuam investigando e procurando os suspeitos.