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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Fim de Partida, com Marco Nanini, é retomada sem Libras em Porto Alegre

A sessão no Teatro Simões Lopes Neto foi interrompida após problema com a iluminação da intérprete; espectadores surdos e ouvintes deixaram o local.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Palco vazio de teatro com cortina parcialmente fechada e refletores acesos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Palco vazio de teatro com cortina parcialmente fechada e refletores acesos.
Resumo em 30 segundos

A apresentação de “Fim de Partida”, com Marco Nanini, foi interrompida cerca de dez minutos após começar no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre. Após tentativas de resolver um problema com a iluminação da intérprete de Libras, a peça foi retomada sem tradução. A produtora reconheceu que não verificou antes as condições técnicas e pediu desculpas.

A apresentação de “Fim de Partida”, estrelada por Marco Nanini, foi interrompida neste domingo (18), cerca de dez minutos após o início, no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre. A sessão, anunciada com audiodescrição e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), foi retomada sem as intérpretes, e espectadores surdos e ouvintes deixaram o local.

O problema envolveu a iluminação destinada à intérprete. Segundo relatos de espectadores, Nanini interrompeu a encenação porque um refletor e a sombra projetada pela profissional prejudicavam sua visão no palco. As cortinas foram fechadas enquanto a produção e técnicos da Fundação Theatro São Pedro tentavam encontrar uma solução.

A Fundação, responsável pelo complexo cultural Multipalco Eva Sopher, informou que mediou as conversas e avaliou alternativas técnicas, mas não conseguiu conciliar as necessidades de iluminação do espetáculo com as condições de acessibilidade. A instituição lamentou os prejuízos causados ao público surdo e reafirmou o compromisso de garantir acesso e respeito a todos os públicos.

A Pequena Central de Produções Artísticas, responsável pela montagem, reconheceu que não verificou antecipadamente as condições técnicas necessárias para a interpretação em Libras naquele teatro. Em nota, assumiu responsabilidade pela falha e pediu desculpas ao público surdo, à intérprete e às demais pessoas envolvidas. A produtora afirmou que a apresentação foi retomada sem a tradução, comprometendo o acesso dos espectadores surdos.

O artista surdo Lucas Bourscheid, de 32 anos, estava na plateia e disse que a situação demonstrou falta de respeito com a comunidade surda. Ele afirmou que, após a retirada das intérpretes, o público que dependia do recurso também precisou sair. Outras três pessoas com deficiência auditiva relataram sentir-se desrespeitadas, segundo a matéria.

A sessão terminou sob vaias e manifestações de espectadores que pediam respeito. Pessoas surdas haviam viajado do interior do Estado para assistir à peça, e parte do público ouvinte também deixou o teatro em protesto contra a falta de acessibilidade.

Libras é a língua usada por muitas pessoas surdas no Brasil; a interpretação permite acompanhar diálogos e ações do espetáculo por meio de sinais. A audiodescrição é outro recurso de acessibilidade, voltado a pessoas com deficiência visual, que traduz em palavras elementos visuais da cena. A sessão havia sido divulgada com os dois serviços, mas o problema relatado envolveu a iluminação e a interpretação em Libras.

O episódio ocorreu no Teatro Simões Lopes Neto, espaço do Multipalco Eva Sopher, complexo cultural ligado à Fundação Theatro São Pedro. A produção informou que a falha esteve na falta de verificação prévia das condições técnicas para oferecer a interpretação no local.

Fontes: Zero Hora

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