Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Aplicativos pagos aproximam desconhecidos em encontros presenciais

Serviços como 222, Real Roots e Timeleft formam grupos com base em questionários e organizam atividades para quem busca um aplicativo para fazer amigos.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Grupo de adultos conversa à mesa de um café durante um encontro presencial. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Grupo de adultos conversa à mesa de um café durante um encontro presencial.
Resumo em 30 segundos

Aplicativos pagos reúnem desconhecidos em jantares, trilhas e outras atividades presenciais, usando questionários para formar grupos. 222, Real Roots e Timeleft operam em dezenas ou centenas de cidades. Há relatos de amizades que continuaram após os eventos, mas os resultados variam e os algoritmos não garantem afinidade.

Aplicativos pagos de amizade organizam encontros presenciais entre desconhecidos, formando grupos com base em questionários sobre personalidade, interesses e estilo de vida. Empresas como 222, Real Roots e Timeleft ampliaram suas operações em diferentes cidades e oferecem atividades que vão de jantares a trilhas, em um mercado impulsionado pela busca por conexões fora da internet.

O modelo é diferente de um aplicativo para fazer amigos usado apenas para conversar online: depois de responder às perguntas e escolher um evento, a pessoa recebe instruções para encontrar o grupo em um local combinado. Os participantes podem se reunir em restaurantes ou fazer atividades em conjunto, como caminhadas e aulas de culinária. Os algoritmos ajudam a formar os grupos, mas não garantem que os desconhecidos se tornem amigos.

A 222 cobra US$ 22 por mês para conectar participantes e organizar eventos. Atividades específicas podem gerar custos extras, como a refeição de um jantar ou uma aula de ioga. A empresa está presente em 21 cidades, emprega 27 pessoas e realiza ao menos uma experiência por dia, segundo seus cofundadores.

A startup começou como um projeto de pesquisa universitário sobre compatibilidade social. Roshannai, Keyan Kazemian e Danial Hashemi receberam uma bolsa de US$ 1.000 da Universidade da Califórnia em Irvine para estudar se respostas a questionários de personalidade poderiam ajudar a prever afinidades. Primeiro, organizaram encontros por videochamada; depois, passaram a promover jantares presenciais. Em 2023, o projeto se tornou o trabalho em tempo integral dos fundadores.

A Real Roots, voltada a encontros de mulheres, organiza atividades como boliche e caça ao tesouro e está em 120 cidades. O aplicativo foi lançado em 2024, após a cofundadora Dorothy Li começar a reunir em seu apartamento mulheres que conhecia pela internet, quando procurava fazer amizades em São Francisco. Um pacote de seis semanas custa cerca de US$ 290, de acordo com experiências relatadas por participantes.

Já a Timeleft promove jantares entre desconhecidos. Lançado em 2023, o aplicativo está disponível em mais de 200 cidades. Os três serviços seguem uma lógica semelhante: combinar pessoas que não se conhecem e criar uma situação presencial para que a conversa aconteça sem depender apenas de mensagens ou perfis digitais.

A procura acompanha um quadro mais amplo de solidão. Um estudo de 2024 do Making Caring Common Project, da Universidade Harvard, apontou que cerca de 67% dos adultos relataram solidão social e emocional. Entre os adultos que se sentiam solitários, aproximadamente 45% disseram não saber bem como desenvolver amizades próximas.

A migração para uma cidade nova pode tornar mais difícil construir uma rede de apoio, e alguns usuários procuram esses serviços justamente para conhecer pessoas em circunstâncias parecidas. Alexandra Pitzer, por exemplo, pagou US$ 290 depois de se mudar de Nashville para Honolulu. Após um encontro com outras oito mulheres, continuou saindo com algumas delas para acampar e ir à praia, mesmo depois de encerrado o pacote.

Em Nova York, Sylvia Le pagou cerca de US$ 170 para participar de uma excursão de um dia organizada pela 222. O grupo saiu de Washington Square Park de ônibus, fez uma trilha e almoçou antes de retornar à cidade. Para ela, a atividade ajudou a tornar a socialização mais natural do que um jantar em que o objetivo explícito é conhecer desconhecidos.

Os resultados, porém, variam. Alex Cheney participou de eventos organizados por diferentes aplicativos em cidades como Los Angeles, mas disse não ter formado amizades significativas. Na avaliação dele, uma afinidade percebida em questionários não basta para criar uma relação profunda, que depende de interações desenvolvidas ao longo do tempo.

Também há relatos positivos de vínculos que continuaram depois dos encontros. Lauren Valenti conheceu duas mulheres em uma atividade da Real Roots em São Francisco e passou a manter contato regular com elas, inclusive para pedir conselhos. A experiência mostra o objetivo dos serviços, mas não elimina a possibilidade de grupos pouco compatíveis ou de encontros que pareçam artificiais.

A 222 também informou que triplicou o faturamento no ano anterior e projetava quadruplicar a receita naquele ano, chegando a um valor entre US$ 7 milhões e US$ 9 milhões. A entrada de empresas nesse mercado inclui ainda iniciativas de plataformas de relacionamento: em setembro, o Tinder lançou o recurso Group Hangout, destinado a ajudar amigos a planejar atividades presenciais em conjunto.

Fontes: O Globo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também