APCF diz que defesa não prova adulteração do celular de Vorcaro
A análise particular identificou arquivos alterados após a apreensão, mas não determinou quem provocou as mudanças nem apontou alteração nas conversas.
Resumo em 30 segundos
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais afirmou que os registros apresentados pela defesa de Daniel Vorcaro não comprovam adulteração do conteúdo do celular nem falha na perícia oficial. O relatório particular identificou arquivos modificados depois da apreensão, mas não concluiu quem fez as mudanças ou se elas afetaram conversas usadas na investigação.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) afirmou nesta sexta-feira (30) que as alegações da defesa de Daniel Vorcaro não comprovam adulteração do conteúdo do celular do ex-banqueiro, apreendido pela Polícia Federal (PF), nem falha na perícia oficial. A manifestação foi divulgada após os advogados apontarem alterações em arquivos registrados no aparelho depois da apreensão, em novembro de 2025.
A defesa contratou um perito particular depois de Vorcaro questionar a veracidade de conteúdos vazados. Segundo os advogados, a análise identificou que, em 18 de novembro de 2025, 657 arquivos foram modificados, incluindo 59 bancos de dados, e 436 foram criados, entre eles 94 imagens e cinco bancos de dados. A defesa afirmou que um aparelho apreendido deve ser preservado, e não editado.
O próprio relatório apresentado pelos advogados, porém, diz que os registros, considerados isoladamente, não permitem identificar quem operou o dispositivo, se houve intervenção humana deliberada nem a natureza e a extensão das alterações. A análise também não aponta que diálogos ou outros conteúdos usados na investigação tenham sido modificados. A defesa pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso ao conteúdo bruto da extração do celular.
Em nota, a APCF declarou que mudanças em registros digitais não significam necessariamente alteração do conteúdo probatório ou comprometimento de sua integridade. A associação acrescentou que a contestação da defesa, por si só, não demonstra falha na produção da prova pericial. Também ressaltou que a perícia criminal federal segue procedimentos de cadeia de custódia, que buscam preservar e permitir rastrear os vestígios examinados.
A entidade observou ainda que o documento foi elaborado por um assistente técnico contratado por uma das partes, uma atuação prevista no processo penal. Diferentemente desse profissional, afirmou a APCF, o perito oficial exerce função pública e deve atuar com autonomia, independência e imparcialidade. A associação alertou que apresentar questionamentos técnicos como irregularidades comprovadas pode levar a interpretações equivocadas sobre o trabalho pericial.
A defesa usou a análise particular para questionar a cadeia de custódia do celular e renovar ao STF o pedido de soltura de Vorcaro, que ainda não havia sido analisado. Cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos que registra a trajetória e o manuseio de uma prova, com o objetivo de preservar sua autenticidade e integridade.
Em depoimento à PF em 15 de outubro, Vorcaro foi questionado sobre diálogos encontrados no aparelho e não contestou nenhum deles, segundo a informação divulgada pela associação. O caso envolve, portanto, uma disputa sobre a confiabilidade dos registros digitais, mas a análise particular não determinou quem provocou as mudanças nem demonstrou que o conteúdo das conversas tenha sido alterado.