André Lara Resende nega tabelamento ao propor Selic a 7,5%
Economista diz que a taxa real brasileira é pelo menos o dobro dos juros internacionais e defende coordenar as políticas fiscal e monetária.
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André Lara Resende afirmou que sua proposta de levar a Selic a cerca de 7,5% em 12 meses não é um tabelamento. A ideia prevê redução gradual dos juros e uma faixa orientada pela meta de inflação e pelo crescimento nominal potencial da economia. Ele também negou ter reunião marcada com Lula.
O economista André Lara Resende negou, nesta quinta-feira, que sua proposta de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para cerca de 7,5% em 12 meses represente um tabelamento. Ele defendeu que os juros no Brasil sejam levados a um patamar compatível com os praticados internacionalmente e afirmou que a taxa real atual é pelo menos o dobro desse nível.
A proposta foi apresentada em artigo publicado em 25 de setembro. Lara Resende atribuiu aos juros elevados um papel central no desequilíbrio fiscal e sugeriu coordenar as políticas fiscal e monetária para reduzir a Selic gradualmente. A taxa básica é definida pelo Banco Central e serve de referência para outras taxas de juros da economia, influenciando o custo do crédito e os rendimentos de aplicações financeiras.
O economista propôs que a Selic fique em uma faixa entre a meta de inflação, atualmente em 3%, e o crescimento nominal potencial da economia, estimado por ele em 5,5%. O crescimento nominal considera a expansão da atividade econômica e a variação dos preços; a proposta não fixa um valor único para a taxa básica, segundo a explicação dada por Lara Resende.
Ele reconheceu que não há garantia de que a estratégia funcionará, mas disse considerar alta a probabilidade de sucesso caso seja compreendida e implementada adequadamente. Como exemplo de uma iniciativa que enfrentou dúvidas, citou a Unidade Real de Valor (URV), instrumento criado em 1994 para preparar a transição para o real. Lara Resende participou da elaboração do plano que levou à adoção da unidade de conta.
O economista também negou ter contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou ter uma reunião marcada com ele. Disse que a informação sobre um possível encontro foi plantada e afirmou não ter interesse em integrar a equipe de governo em um eventual quarto mandato de Lula.
Lara Resende afirmou que a divulgação do suposto encontro teria o objetivo de prejudicar sua proposta. Ele relacionou a circulação do rumor a uma disputa interna no PT e disse que a deputada federal Gleisi Hoffmann, ex-presidente nacional do partido e ex-ministra das Relações Institucionais, demonstrou apoio à ideia. Segundo ele, integrantes do mercado financeiro não gostaram da proposta.