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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Lula inicia conversas sobre juros, contas públicas e dívida

O presidente reúne ministros e economistas após o Copom manter a Selic em 13,75% ao ano; proposta de mudança nos juros preocupa investidores.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Ministros e economistas participam de uma reunião sobre política econômica em uma sala institucional. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Ministros e economistas participam de uma reunião sobre política econômica em uma sala institucional.
Resumo em 30 segundos

Lula começou uma rodada de conversas com integrantes do governo e economistas para discutir política fiscal e dívida pública. O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, citando expectativas de inflação mais altas e desaceleração da atividade. A proposta de André Lara Resende para mudar a política monetária também está no centro das preocupações do mercado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou nesta quinta-feira (5) uma rodada de conversas com economistas e integrantes do governo para discutir os rumos da política fiscal e a trajetória da dívida pública. A iniciativa ocorre em meio à reação dos mercados a propostas de mudança na política monetária e à decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano.

O primeiro encontro reúne pessoas próximas ao presidente, entre elas o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloísio Mercadante. Também participam a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Nas próximas semanas, Lula pretende ouvir economistas de diferentes correntes. O objetivo, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, é comparar diagnósticos e discutir propostas gerais para os próximos passos. “É mais um esforço da gente dividir o cenário, os diagnósticos, e eu vou levar certamente as propostas, as ideias em termos gerais do que a gente deve fazer nas próximas semanas”, afirmou Durigan a jornalistas nesta quinta-feira.

A rodada ocorre após ganhar repercussão a proposta do economista André Lara Resende para alterar a condução da política monetária. Em artigo publicado no fim de setembro, ele defendeu reduzir gradualmente a Selic de 13,75% para cerca de 7,5% ao ano em 12 meses e criar um mecanismo que coordene metas fiscais e monetárias.

A ideia prevê um conselho nacional fiscal e monetário com metas conjuntas para um período de quatro a cinco anos. Nesse modelo, o Banco Central manteria a Selic entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em cerca de 5,5%. A proposta também prevê uma margem de segurança de dois pontos percentuais em relação ao PIB potencial.

Lula ainda não tem encontro marcado com Lara Resende, afirmou Durigan no início da semana. O ministro disse que o chamado tabelamento de juros não estava na agenda do presidente. A possibilidade de a proposta ser discutida, porém, alimentou preocupações de investidores sobre a autonomia do Banco Central e a condução das contas públicas.

Lara Resende sustenta que os juros elevados contribuem para aumentar os encargos da dívida pública em ritmo superior à capacidade de geração de riqueza do país. Críticos da proposta alertam que uma redução rápida da Selic pode elevar as expectativas de inflação, pressionar os juros de longo prazo e afetar a confiança dos investidores. O economista John Cochrane, da Universidade Stanford, afirmou que a viabilidade dependeria da confiança em superávits fiscais duradouros e de instituições capazes de sustentar o compromisso.

A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para outras taxas de crédito e aplicações financeiras. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide seu nível para influenciar a inflação: juros mais altos tendem a conter o consumo e a atividade, enquanto juros menores podem estimular a demanda. A decisão do Copom não determina diretamente todas as taxas cobradas no mercado, que também refletem expectativas e riscos.

Na quarta-feira (4), o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo a sequência de cinco reduções de 0,25 ponto percentual iniciada em março. A decisão foi unânime e ocorreu na primeira reunião do colegiado após a reeleição de Lula. O comitê citou o aumento das incertezas sobre as projeções, a elevação das expectativas de inflação e uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica.

O comunicado não apontou quando os juros poderão voltar a cair. O Copom retirou a referência ao ciclo de flexibilização e afirmou que acompanhará o cenário para manter o nível de restrição adequado. A taxa elevada busca conter pressões inflacionárias, mas também encarece o crédito e pode desacelerar a economia.

A decisão e os encontros de Lula foram acompanhados pelos investidores nesta quinta. Por volta das 11h25, o dólar recuava 0,12%, a R$ 5,441, enquanto a Bolsa avançava 0,71%, aos 168.763 pontos. Os juros futuros oscilavam depois de subir durante a manhã; os contratos de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2031 e janeiro de 2035 rondavam, respectivamente, 15,04% e 15,12%.

Na semana anterior, a Bolsa havia acumulado queda de 18% e o dólar subido 9,18%, em um cenário de cautela sobre os rumos fiscais do próximo mandato. O Boletim Focus, que reúne projeções de instituições financeiras, elevou a estimativa para a inflação medida pelo IPCA neste ano de 5,19% para 5,22% e para a Selic no fim do ano de 13,25% para 13,50%. As projeções não são decisões do Banco Central, mas ajudam a mostrar como analistas avaliam a trajetória da economia.

Fontes: Gazeta do Povo, Folha de S.Paulo, O Globo

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