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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Ammar convoca paralisação de trabalhadoras sexuais na Argentina

A mobilização ocorre após cinco feminicídios no país neste semestre, quatro deles em outubro, e cobra segurança e proteção jurídica para as trabalhadoras.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Manifestantes participam de protesto por segurança e proteção jurídica em Buenos Aires. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Manifestantes participam de protesto por segurança e proteção jurídica em Buenos Aires.
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Trabalhadoras sexuais fizeram paralisações e protestos na Argentina nesta terça-feira, convocadas pela Ammar. O movimento pede mais segurança e o fim da clandestinidade após cinco feminicídios no semestre. Ativistas também se reuniram diante do Congresso, enquanto um projeto de lei sobre estabelecimentos de exploração sexual divide grupos abolicionistas e organizações que defendem regulamentar a atividade.

Trabalhadoras sexuais fizeram paralisações e manifestações na Argentina nesta terça-feira (3) para pedir mais segurança e o fim da clandestinidade. A mobilização foi convocada pela Ammar, sigla da Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina, após cinco feminicídios registrados no país neste semestre, quatro deles em outubro.

Entre os casos recentes estão os de Tatiana Fernández, de 27 anos, encontrada morta em 25 de outubro em um apartamento no bairro de Retiro, em Buenos Aires, e Daniela Villalba, de 29, assassinada em Córdoba. Um suspeito, Renato Iván Tabella, de 28 anos, foi preso e também é investigado pela morte de Villalba.

Em Rosário, Débora Bordón, de 30 anos, foi morta a punhaladas em agosto. Bárbara Camila Aragón foi encontrada morta em uma pensão em 11 de outubro. Homens apontados como clientes foram presos nos dois casos. Paola Vallejos, de 36 anos, foi encontrada morta em 8 de outubro na cidade costeira de Costa Azul.

A Ammar pediu que as trabalhadoras deixassem de atuar durante o dia. Como a atividade não é regulamentada, não há estimativa de quantas aderiram. Em algumas regiões, participantes organizaram protestos virtuais, interrompendo por algumas horas o trabalho em sites ou publicando mensagens nas redes sociais.

“Queremos visibilizar a condição de precariedade em que exercemos nosso trabalho”, afirmou Georgina Orellano, secretária-nacional da Ammar, à emissora Radio con Vos. “Nossa reivindicação é também que a vida das trabalhadoras sexuais também importa.” Ativistas também se reuniram diante do Congresso, em Buenos Aires, para exigir proteção jurídica.

Na Argentina, a prostituição individual não é crime, mas cafetinagem e agenciamento de trabalho sexual são ilegais. A falta de regulamentação impede que as trabalhadoras tenham acesso a direitos e benefícios trabalhistas, como aposentadoria e seguro-desemprego. A Ammar afirma que a situação aumenta a insegurança e pode levar mulheres a aceitar encontros em locais privados com clientes desconhecidos, como ocorreu com três das vítimas recentes.

O debate também envolve um projeto de lei que a Câmara dos Deputados analisa desde 23 de setembro. A proposta pretende proibir estabelecimentos de “exploração sexual” em todo o país. O tema divide grupos abolicionistas, que veem a prostituição como uma forma de violência, e organizações como a Ammar, que defendem regulamentar o trabalho sexual como profissão para ampliar a proteção das trabalhadoras.

O slogan “Ni Una Menos” — “Nem uma a menos” —, usado em mobilizações contra feminicídios na Argentina desde 2015, apareceu nos cartazes do protesto. Algumas versões foram adaptadas para “Ni Una Puta Menos” ou “Ni Una Trabajadora Sexual Menos”.

Para entender

Ammar
A Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina é uma organização de trabalhadoras sexuais que defende direitos e proteção para a categoria. A sigla é usada em espanhol para se referir à entidade.

Fontes: Folha de S.Paulo

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