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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Jovens ciclistas atacam mulheres trans em parque de Buenos Aires

Ao menos seis vítimas ficaram feridas, uma delas perdeu uma orelha; a Defensoria LGBT prepara denúncia criminal contra os envolvidos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Bicicletas e um cone caído em uma trilha arborizada de Buenos Aires. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Bicicletas e um cone caído em uma trilha arborizada de Buenos Aires.
Resumo em 30 segundos

Um grupo de jovens ciclistas atacou mulheres trans nos Bosques de Palermo, em Buenos Aires, e publicou vídeos da agressão nas redes sociais. Pelo menos seis vítimas ficaram feridas, e uma perdeu uma orelha. A Defensoria LGBT da cidade prepara uma denúncia criminal. A organização do passeio repudiou a violência.

Um grupo de jovens que andava de bicicleta atacou mulheres trans nos Bosques de Palermo, em Buenos Aires, na Argentina. Os agressores lançaram paus, pedras, cones de trânsito e outros objetos contra as vítimas, filmaram a ação e publicaram imagens nas redes sociais. Pelo menos seis mulheres ficaram feridas; uma delas perdeu uma orelha.

A Defensoria LGBT da Cidade de Buenos Aires informou que prepara uma denúncia criminal contra os envolvidos. As vítimas disseram à entidade que a agressão começou quando os ciclistas passaram por elas e as golpearam com paus. Depois, os ataques continuaram com outros objetos, e algumas mulheres se feriram enquanto tentavam fugir.

As imagens foram gravadas na região da avenida Los Ombúes com a Andrés Bello. Nos vídeos, os agressores aparecem usando cones como armas e insultando as mulheres. Um dos participantes publicou no Instagram a frase “Agora me chamam de matatrans”, acompanhada de emojis de riso. Em outra publicação, um dos envolvidos escreveu: “Corram, travecas (sic)”.

A cientista política e ativista LGBT Gabriela Ivy afirmou que as vítimas trabalhavam nos Bosques de Palermo e que o ataque foi planejado. Em entrevista ao programa de streaming TUGO, ela estimou que entre 50 e 60 jovens participaram da ação e disse que os agressores teriam combinado o encontro para chegar ao local quando as mulheres começassem a trabalhar. Essa estimativa não foi confirmada pela Defensoria, que informou haver pelo menos seis vítimas com ferimentos.

Ivy disse que algumas contas do Instagram publicaram vídeos do ataque com os rostos dos participantes cobertos. Ela citou os perfis @_esteban_bk e @emarider e relatou que uma das mulheres ficou com cortes nos pés causados por vidros. Segundo a ativista, as vítimas estavam traumatizadas. O material publicado nas redes também mostra jovens circulando de bicicleta e inclui provocações relacionadas à agressão.

O ataque veio a público na noite de segunda-feira, quando vídeos foram divulgados pelos próprios participantes. De acordo com o relato de Ivy, a ação vinha sendo preparada havia semanas. Ela afirmou que os registros de redes sociais permitiram identificar algumas contas, mas disse que ainda não se sabia como o grupo organizou a agressão.

Ao menos seis perfis do Instagram foram apontados como participantes da organização de um passeio de bicicleta: @candehg_, @tizisst10, @ssantuu._, @047.ianmateo, @quilmes.grau e @joni_sst. Um vídeo publicado um dia antes do episódio foi intitulado “A noite mais esperada do ano” e mostrava jovens fantasiados de Halloween pedalando ao som de um trecho do filme de terror “Uma Noite de Crime”.

Após a agressão, contas ligadas ao passeio afirmaram que os autores não faziam parte do grupo oficial e que se desviaram do trajeto combinado. O grupo Quilmes al Grau declarou que o percurso não foi concluído porque pessoas de fora levaram ciclistas a uma área por onde não deveriam passar. Também afirmou que a proposta era contornar os Bosques de Palermo para evitar problemas e repudiou a violência.

Mariano, apresentado como um dos convocadores do passeio, pediu desculpas em nome de integrantes da comunidade de stunt bike, modalidade de ciclismo que inclui manobras e acrobacias. Ele disse que mais de 300 pessoas haviam se reunido e que cerca de dez teriam iniciado os conflitos, sem representar todos os participantes. Mariano também afirmou que um adolescente de 15 anos, que, segundo ele, não participou das provocações, foi atingido por uma corrente por uma pessoa trans. Ele declarou que essa agressão não justificava os ataques posteriores.

O caso ocorre poucos dias antes da Marcha do Orgulho, marcada para 7 de novembro. A manifestação já havia provocado divergências com o governo da cidade, que pediu o adiamento para 21 de novembro por causa da chegada do papa Leão XIV, prevista para o mesmo fim de semana. O episódio também acontece meses depois do assassinato de duas mulheres trans, em 13 de agosto, nas províncias argentinas de Santa Fé e Córdoba.

Fontes: O Globo

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