Acidente de trem na Espanha deixa 68 mortos e mais de 100 feridos
A colisão ocorreu na província de Toledo, entre trens da Renfe e da Iryo; um brasileiro de 21 anos e a avó sobreviveram ao acidente.
Resumo em 30 segundos
Dois trens de alta velocidade colidiram na província espanhola de Toledo, deixando ao menos 68 mortos e mais de 100 feridos. O brasileiro Nino Moreira, de 21 anos, e a avó estavam em uma das composições e sobreviveram. Passageiros, moradores e voluntários ajudaram no resgate e no atendimento às vítimas.
Um choque entre dois trens de alta velocidade deixou ao menos 68 mortos e mais de 100 feridos na quarta-feira, na província de Toledo, na Espanha. Um brasileiro de 21 anos, que viajava com a avó em uma das composições, relatou ter escapado do acidente e descreveu a ajuda prestada por passageiros e moradores da região.
Nino Moreira e a avó, Regina Senna, estavam no trem AVE, da empresa estatal Renfe, que partiu de Madri em direção a Sevilha. A composição colidiu com um trem da operadora privada Iryo, que estava parado entre as estações de Los Yébenes e Urda. Os dois trens transportavam centenas de passageiros.
Moreira contou que, pouco antes da colisão, o trem em que viajava parou. O maquinista informou que havia congestionamento na via e que os passageiros não precisavam se preocupar. Após cerca de cinco minutos, a composição voltou a andar; pouco depois, ocorreu o impacto.
“Foi bizarro. Do nada, teve um impacto grande e aí só senti o trem descarrilhando”, disse o estudante. Segundo ele, o trem continuou se movendo por alguns instantes, enquanto os passageiros não sabiam o que estava acontecendo. Os vagões seis, sete e oito foram destruídos, e objetos e partes dos assentos se soltaram e se espalharam pelo interior.
A avó de Moreira sofreu ferimentos na mandíbula e no lábio. Ele afirmou que mulheres que estavam no trem ajudaram Regina e outros passageiros, além de oferecer água e apoio emocional. Passageiros também quebraram janelas para sair dos vagões e procurar pessoas entre os destroços. Caminhoneiros que passavam pelo local levaram água e papel para ajudar a conter sangramentos, enquanto equipes policiais chegavam.
Moradores de Urda, povoado próximo ao local, organizaram caronas para levar feridos a um pavilhão instalado em uma escola pública. Moreira e a avó foram transportados entre os primeiros. No local, a Cruz Vermelha prestou primeiros socorros, e voluntários ajudaram as vítimas com água, alimentos e apoio.
Depois do atendimento inicial, um motorista que Moreira conhecia em Madri foi buscá-los e os levou a um hospital na capital. Regina passou cerca de dez horas na unidade, onde recebeu pontos no lábio e fez exames. O estudante relatou que ficou muito tempo sem sinal de celular, mas conseguiu entrar em contato com familiares, com o motorista e com o seguro-viagem após o acidente.
As informações iniciais sobre o número de passageiros divergem: a Renfe informou que havia 393 pessoas em seu trem, enquanto outra contagem citada apontou 397. Para a composição da Iryo, foram divulgados números de 151 e 147 passageiros. O balanço oficial mencionado era de pelo menos 68 mortos; 107 pessoas estavam hospitalizadas na região de Castilla-La Mancha, 18 delas em estado grave.
O ministro espanhol dos Transportes, Oscar Puente, afirmou que o trem da Renfe teria recebido autorização para seguir apesar de um sinal vermelho, devido à falha de um sistema de segurança da linha. A Renfe declarou que a composição estava autorizada a prosseguir e disse que não se sabia por que o trem da Iryo permanecia parado na via. A Iryo informou que ativou os protocolos de emergência.
A Guarda Civil foi encarregada de reunir dados sobre o tráfego ferroviário e os protocolos do centro de controle de Atocha. A juíza responsável pela investigação pediu à Administração Ferroviária Espanhola (Adif) um relatório sobre os profissionais que controlavam a circulação no momento do acidente. O primeiro-ministro Pedro Sánchez prometeu investigar o caso e corrigir eventuais falhas.