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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Abstenção nas eleições de 2026 mobiliza campanhas de Lula e Flávio

Em 61,5% dos municípios analisados, áreas de menor renda tiveram mais eleitores ausentes; em São Paulo, o padrão histórico se inverteu.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores genéricos se dirigem a cabines de votação em uma seção eleitoral. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores genéricos se dirigem a cabines de votação em uma seção eleitoral.
Resumo em 30 segundos

Levantamento em 1.170 municípios apontou abstenção de 21,3% nas áreas de menor renda, ante 20,3% nas mais ricas. Em São Paulo, a diferença também favoreceu as regiões de renda mais alta, uma inversão inédita na série iniciada em 2006. As campanhas de Lula e Flávio tentam mobilizar quem não votou.

A abstenção no primeiro turno das eleições de 2026 foi maior em áreas de menor renda na maioria dos municípios analisados por um levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps). Os dados passaram a orientar as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que tentam atrair eleitores para o segundo turno.

O estudo examinou 1.170 municípios e cruzou os resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por seção com informações de renda dos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 61,5% das cidades analisadas, a participação foi menor nas áreas de renda mais baixa. Para comparar os locais de votação, a pesquisa os separou em cinco faixas de renda, conforme as características do entorno.

Nessas áreas mais pobres, 21,3% dos eleitores deixaram de votar para presidente, ante 20,3% nas regiões mais ricas. A abstenção é a parcela do eleitorado apto que não comparece para votar. No estado de São Paulo, a diferença foi de 23,4% nas áreas de menor renda e 22,1% nas de renda mais alta.

A inversão paulista não havia aparecido na série do estudo, iniciada em 2006: até 2022, a abstenção era sempre superior nas áreas mais ricas. No primeiro turno de 2026, Lula obteve 45,2% dos votos válidos nas áreas de menor renda consideradas pelo levantamento, e Flávio, 45,5%. Quatro anos antes, Lula tinha vantagem de 8,9 pontos percentuais sobre Jair Bolsonaro (PL) nesse mesmo recorte: 49,6% a 40,7%.

O consultor político Gaudêncio Torquato, professor da Universidade de São Paulo (USP), relacionou os números à insatisfação e às dificuldades econômicas. Ele citou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que registrou em setembro o maior índice de endividamento das famílias em 2026: 81,7%. Entre famílias com renda de até três salários mínimos, a proporção chegou a 84,6%.

“Quanto mais indignação, quanto mais insatisfação, menos vontade o eleitor tem de ir às urnas. Esse número reflete a desesperança do eleitor, a sensação de que tudo é do mesmo jeito e que os políticos prometem muito, mas não fazem”, afirmou Torquato. Para ele, a falta de dinheiro também pode afastar eleitores. “Quanto menos dinheiro no bolso a pessoa tiver, maior a distância das urnas. Ficar em casa é também uma economia”, disse.

Lula pediu que seus apoiadores mobilizem quem não votou no primeiro turno e eleitores com mais de 70 anos. “Vamos ter que convencer as pessoas que não foram votar a votar, a pessoa que tem mais de 70 anos transformar o voto numa questão de honra”, declarou durante uma caminhada entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, na terça-feira (20).

A campanha de Flávio busca conservar o engajamento de quem compareceu às urnas e reduzir as ausências, sobretudo nos estados em que a eleição para governador já foi decidida. Em Natal, no dia 9, o coordenador da campanha do PL, senador Rogério Marinho (PL-RN), defendeu que os estados mantenham a mobilização e convençam a votar quem não foi ao primeiro turno.

Outra iniciativa ligada à campanha é o “bloquinho do 22”, mobilização liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com carro de som e jingles em cidades do país. A disputa por eleitores ausentes ocorre após a mudança observada em São Paulo e a redução da vantagem de Lula sobre Flávio nas áreas de menor renda daquele estado.

Fontes: Gazeta do Povo

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