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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Vulcões submarinos não causam aquecimento dos oceanos nem El Niño

Boias indicam que o calor do El Niño se concentra nas camadas superiores do oceano; o aquecimento de longo prazo está ligado aos gases de efeito estufa.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Magma incandescente emerge de uma fissura no fundo do mar e esfria ao entrar em contato com a água. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Magma incandescente emerge de uma fissura no fundo do mar e esfria ao entrar em contato com a água.
Resumo em 30 segundos

Erupções submarinas podem aquecer a água perto do local onde ocorrem, mas esse calor se dissipa e não explica o aquecimento dos oceanos nem a formação do El Niño. O aumento de longo prazo das temperaturas está associado à intensificação do efeito estufa, principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

Erupções de vulcões submarinos não são responsáveis pelo aquecimento dos oceanos nem pela formação do El Niño, fenômeno que eleva a temperatura das águas do Pacífico. O calor associado ao El Niño se concentra nas camadas superiores do oceano e resulta de interações entre atmosfera, água e radiação solar, enquanto o aquecimento de longo prazo está ligado à intensificação do efeito estufa, segundo o climatologista Gilvan Sampaio, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Vulcões submersos são fenômenos naturais presentes em diferentes regiões do planeta. Eles surgem principalmente em áreas onde placas tectônicas se chocam ou se afastam, abrindo fissuras por onde o magma emerge. Ao entrar em contato com grandes volumes de água sob alta pressão, o material incandescente esfria rapidamente e forma rochas que modificam a crosta e o relevo do fundo do mar.

A atividade pode aquecer a água nas proximidades da erupção, mas o efeito não se espalha pelo oceano. Sampaio compara o processo a colocar um fósforo aceso em uma panela com água: o calor é dissipado rapidamente diante da quantidade de água. Por isso, a energia liberada por um vulcão submarino não explica o aumento observado na temperatura dos mares.

Uma estimativa da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, calcula que existam mais de um milhão de vulcões subaquáticos nas principais bacias oceânicas. Cerca de 75% da atividade vulcânica da Terra ocorre no fundo dos oceanos, a uma profundidade média de 2.600 metros. A frequência desses fenômenos, porém, não significa que eles tenham impacto relevante no aquecimento global.

O chamado “fogo no fundo do mar” não é fogo como o que ocorre na superfície: trata-se de magma incandescente que sai de fissuras na crosta terrestre. A água não impede que o material muito quente apareça luminoso, mas o resfria ao redor do ponto de erupção. Também existem pontos quentes, áreas em que jatos de magma sobem do interior do planeta e podem formar cadeias de ilhas, como as do Havaí.

Para acompanhar o El Niño, sistemas de monitoramento usam boias ancoradas nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico. Elas medem a temperatura da água em diferentes profundidades, em alguns casos até mais de 500 metros. Os registros indicam que o aquecimento relacionado ao fenômeno ocorre, no máximo, até cerca de 300 metros; em profundidades de 400 a 500 metros, a água fica abaixo de 10°C.

O El Niño se desenvolve quando os ventos que normalmente sopram de leste para oeste no Pacífico enfraquecem. Com isso, águas quentes que ficam próximas à Indonésia avançam em direção à costa da América do Sul, onde normalmente há águas mais frias. A interação entre oceano e atmosfera é complexa, e os episódios acontecem, em média, a cada dois a sete anos. Sampaio afirma que erupções submarinas não influenciam sua formação.

O aquecimento de longo prazo dos oceanos, assim como o da atmosfera, está associado ao aumento dos gases de efeito estufa. A principal origem citada por Sampaio é a queima de combustíveis fósseis, como gasolina, óleo diesel e carvão mineral, inclusive na produção de energia em usinas termelétricas. Desmatamento e queimadas também liberam gás carbônico e contribuem para esse processo.

Erupções vulcânicas podem influenciar o clima em outra circunstância: quando são muito grandes e ocorrem em terra. Nesses casos, cinzas lançadas à estratosfera reduzem a quantidade de radiação solar que chega à superfície e podem causar resfriamento temporário. O pesquisador cita a erupção do Monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991; nos anos seguintes, houve uma pequena queda no aquecimento do planeta. Esse efeito não é atribuído a vulcões submarinos.

Para entender

El Niño
Fenômeno climático natural ligado à interação entre o oceano e a atmosfera no Pacífico tropical. Ocorre quando os ventos de leste para oeste enfraquecem e águas quentes avançam em direção à costa da América do Sul.

Fontes: Estadão

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