ONU alerta para El Niño de intensidade potencialmente sem precedentes
A OMM prevê que o Pacífico equatorial fique 3,8 °C acima da média entre novembro e janeiro; o alerta não detalha efeitos no Brasil.
Resumo em 30 segundos
A ONU pediu que governos e instituições se preparem antes dos impactos do El Niño, que já está em curso e pode ser excepcionalmente intenso. A OMM prevê temperaturas da superfície do Pacífico equatorial 3,8 °C acima da média entre novembro e janeiro. Mais de US$ 50 milhões foram mobilizados para apoiar 11 países.
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quarta-feira (21) que governos e instituições ajam de forma antecipada e coordenada para proteger as populações mais expostas ao El Niño, fenômeno climático que já está em curso e pode ter intensidade sem precedentes. O alerta foi feito em Genebra pela secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, e pelo chefe de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher.
Saulo afirmou que não é possível impedir o fenômeno, mas que medidas prévias podem reduzir seus impactos sobre as pessoas. A OMM prevê que, entre novembro e janeiro, a temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial fique 3,8 °C acima da média. Segundo Saulo, esse patamar não havia sido registrado antes; episódios anteriores particularmente fortes chegaram perto de 3 °C e tiveram efeitos importantes no mundo.
O El Niño é um fenômeno natural que retorna em intervalos de dois a sete anos. Ele ocorre quando as águas superficiais do centro e do leste do Pacífico equatorial ficam mais quentes, alterando ventos, pressão atmosférica e padrões de chuva em diferentes regiões. Os efeitos variam conforme o local e podem incluir calor extremo, secas e inundações.
Fletcher descreveu o episódio atual como de grande escala e alertou para consequências humanitárias na América Latina, na África oriental e austral, na Ásia e no Pacífico. Ele defendeu a preparação das comunidades mais expostas e pediu mobilização internacional, com recursos liberados antes de os danos ocorrerem.
O chefe humanitário informou que mais de US$ 50 milhões, equivalentes a cerca de R$ 250 milhões, foram mobilizados pelo Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU para apoiar 11 países considerados na linha de frente. Entre eles estão Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.
Fletcher citou necessidades diferentes conforme a região. Somália, Etiópia e Quênia precisam de recursos e suprimentos antes da chegada de chuvas fortes; no sul da África, sementes e animais são necessários antes do fim dos períodos de plantio e preparação agrícola. Na América Central, a prioridade é preservar meios de subsistência, enquanto países da Ásia e do Pacífico devem se preparar para secas, enchentes e ciclones.
A OMM não detalhou no alerta os efeitos específicos esperados para o Brasil. O pedido da ONU é que a preparação e o financiamento sejam organizados antes da ocorrência de impactos, em vez de depender apenas de ajuda emergencial posterior.