BradSaúde (SAUD3) tem lucro de R$ 1,075 bilhão no trimestre
O resultado subiu 14% em um ano e superou as projeções; a companhia também anunciou R$ 1 bilhão em dividendos aos acionistas.
Resumo em 30 segundos
A BradSaúde lucrou R$ 1,075 bilhão no terceiro trimestre de 2026, alta anual de 14%, com desempenho operacional acima das projeções. O resultado financeiro ficou abaixo do esperado. A companhia adicionou cerca de 51 mil beneficiários no período e anunciou R$ 1 bilhão em dividendos, elevando a distribuição anual a R$ 1,5 bilhão.
A BradSaúde (SAUD3) teve lucro líquido de R$ 1,075 bilhão no terceiro trimestre de 2026, alta de 14% ante o mesmo período do ano anterior. O resultado superou as projeções de mercado e foi impulsionado principalmente pelo desempenho das operações de saúde, odontologia e Atlântica, apesar de uma contribuição financeira abaixo do esperado.
O resultado de subscrição — ligado à atividade principal de seguros — ficou cerca de 10% acima das estimativas do Itaú BBA. A sinistralidade, indicador que compara despesas assistenciais e receitas dos planos, piorou 50 pontos-base em 12 meses, menos do que os 170 pontos-base previstos pelo banco. Quanto menor a sinistralidade, maior tende a ser a parcela das receitas que sobra após o pagamento de atendimentos e procedimentos.
O desempenho dos planos de saúde ficou 32% acima das projeções do Citi, enquanto o lucro dessa operação superou as estimativas da instituição em 8%. As despesas operacionais também vieram abaixo das expectativas: o Itaú BBA apontou R$ 208 milhões, ante R$ 456 milhões projetados. O Citi registrou queda de R$ 225 milhões em outras despesas operacionais na comparação trimestral, mas ponderou que parte da redução pode não se repetir.
Na direção oposta, o resultado financeiro somou R$ 685 milhões, 9% abaixo da estimativa do Itaú BBA. O banco apontou que o IPCA, índice oficial de inflação, mais baixo no período pode ter contribuído para o desempenho. A equivalência patrimonial, por sua vez, alcançou R$ 100 milhões, 18% acima da projeção.
A companhia adicionou cerca de 51 mil beneficiários líquidos no trimestre, abaixo dos 99 mil registrados entre abril e junho. Ainda assim, a base total cresceu 7% em 12 meses. O tíquete médio dos planos de saúde, sem os contratos administrativos, avançou 1,1% na comparação anual, e os prêmios ganhos aumentaram 9%, embora tenham ficado 2% abaixo do esperado pelo Itaú BBA.
As provisões do balanço aumentaram R$ 1,5 bilhão em relação ao trimestre anterior. O Itaú BBA destacou que o movimento pode apontar melhora na sinistralidade calculada pelo fluxo de caixa. Já a reserva de solvência chegou a R$ 1,4 bilhão, segundo o Citi. Essa reserva funciona como margem financeira para a empresa cumprir obrigações futuras.
A BradSaúde anunciou ainda R$ 1 bilhão em dividendos. Com essa distribuição, o total pago aos acionistas no acumulado do ano chegou a R$ 1,5 bilhão, conforme o Itaú BBA.
O Citi avalia que os resultados e as tendências operacionais podem favorecer as ações, mas afirma ser necessário acompanhar a evolução das despesas para estimar possíveis revisões de lucro. O banco mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20 por ação, valor que representa potencial de valorização de 29,7% em relação ao último fechamento. A companhia acumulou lucro de R$ 3,5 bilhões nos primeiros nove meses do ano; o consenso citado pelo Itaú BBA para 2026 é de R$ 4,5 bilhões.