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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Vale cai em 2026 com preço do minério de ferro perto de US$ 100

A mineradora divulga o balanço do terceiro trimestre em 29 de outubro; analistas apontam frete mais caro e dólar fraco entre as pressões.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Minério de ferro sendo carregado em um navio em um porto. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Minério de ferro sendo carregado em um navio em um porto.
Resumo em 30 segundos

As ações da Vale recuam 5,05% em 2026, enquanto o Ibovespa avança, em meio à queda do minério de ferro, ao frete marítimo mais caro e à desvalorização do dólar. O balanço do terceiro trimestre sai em 29 de outubro. Bancos e analistas divergem sobre as perspectivas para a ação.

As ações da Vale (VALE3) acumulam queda em 2026 e, em outubro, seguem na direção oposta à alta recente da Bolsa brasileira. O desempenho reflete a pressão da redução do preço do minério de ferro, o encarecimento do frete marítimo e a desvalorização do dólar ante o real, fatores que afetam as receitas e os custos da mineradora. A empresa divulgará o balanço do terceiro trimestre em 29 de outubro, depois do fechamento do mercado.

Os papéis recuam 5,05% no ano e 4,56% em outubro, e estão no menor valor desde dezembro de 2025. No mesmo período, o Ibovespa sobe 28,16% em 2026 e 10,82% neste mês. Em agosto, o principal índice da Bolsa superou 209 mil pontos e registrou recorde histórico.

A diferença de desempenho está ligada, em parte, à composição do rali recente. A valorização da Bolsa tem favorecido empresas mais expostas ao consumo interno e à queda esperada dos juros, como companhias de varejo, transporte e infraestrutura. A Vale, por sua vez, depende de fatores específicos do setor de commodities, entre eles a demanda chinesa e as cotações internacionais de metais.

O minério de ferro, principal produto da companhia, era negociado perto de US$ 112 por tonelada em janeiro, no contrato mais ativo da China. Agora, está próximo de US$ 100 por tonelada. A commodity é uma matéria-prima essencial para a produção de aço, e variações em seu preço influenciam diretamente a receita da mineradora.

O frete também pressiona as perspectivas. O custo do combustível usado por navios tem sido afetado pela tensão geopolítica no Oriente Médio e por impasses nas negociações entre Irã e Estados Unidos. Como a Vale transporta minério a longas distâncias, o aumento do combustível marítimo pode elevar as despesas para levar a produção aos compradores.

O UBS reduziu, no fim de setembro, o preço-alvo das ações de R$ 85 para R$ 77 e o dos recibos de ações negociados nos Estados Unidos, conhecidos como ADRs, de US$ 16,50 para US$ 15. O banco apontou custos maiores e previsões menores de embarques no segundo semestre de 2026 e em 2027. Manteve recomendação neutra, afirmando que a relação entre riscos e retornos está mais equilibrada nos preços atuais, apesar da geração de caixa e dos pagamentos aos acionistas.

O BTG Pactual estima que o frete médio da Vale possa ficar entre US$ 25 e US$ 27 por tonelada em 2027, em uma simulação que considera minério a US$ 90,50 por tonelada, cobre a US$ 6,60 por libra-peso, níquel a US$ 15.700 por tonelada e câmbio de R$ 5 por dólar. O banco avalia que contratos de longo prazo e instrumentos de proteção contra oscilações no combustível podem limitar parte do impacto. Ainda assim, calcula que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) poderia ficar perto de US$ 13 bilhões em 2027, entre 15% e 20% abaixo de estimativas anteriores.

A cotação do dólar é outro componente relevante. Como parte importante das receitas da Vale está vinculada à moeda americana, a queda do dólar frente ao real reduz, quando convertidos, os valores recebidos pela companhia. A divisa recuou mais de 8% no ano e chegou a ficar abaixo de R$ 5 nas mínimas de outubro.

As avaliações sobre a ação não são uniformes. O BTG mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 90, mas afirma que os resultados estão evoluindo em direção desfavorável e que não identifica um catalisador claro para uma alta no curto prazo. Já o UBS recomenda posição neutra. O Morgan Stanley informou ter diminuído sua exposição à mineradora, priorizando empresas ligadas à economia doméstica em vez de companhias de commodities.

Há também argumentos favoráveis para quem avalia investir. O analista João Daronco, da Suno Research, considera que parte dos riscos já está refletida no preço e vê oportunidade na ação. Fernando Bresciani, do Andbank, calcula um dividend yield de 9% ao ano. Esse indicador compara os dividendos pagos com o preço da ação: se a cotação cai e os pagamentos permanecem iguais, o retorno percentual calculado aumenta. O número não garante que a empresa manterá os mesmos proventos.

O próximo balanço pode ajudar a esclarecer como os fatores de mercado afetaram os resultados. Arthur Bonifácio, da Eleven Financial, espera pressão na divisão de minério de ferro, devido a preços realizados menores e ao dólar mais fraco na comparação anual. Na avaliação dele, cobre e níquel podem compensar parte desse efeito, com a valorização do cobre e a redução dos custos operacionais.

A Vale informou que, a partir deste trimestre, reunirá dados operacionais, de vendas e financeiros em um só Relatório de Desempenho, incorporando informações antes publicadas separadamente sobre produção e vendas. A teleconferência de resultados está marcada para a manhã de 30 de outubro.

Fontes: Estadão

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