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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Documentos da Apex Partners citam PwC antes de rombo bilionário

Apresentações projetavam R$ 74 bilhões em ativos sob supervisão até 2032; PwC e KPMG negam ter avaliado ou auditado os números da empresa.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Documentos financeiros sobre uma mesa em uma sala de reuniões corporativa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Documentos financeiros sobre uma mesa em uma sala de reuniões corporativa.
Resumo em 30 segundos

Meses antes de revelar um rombo de R$ 1 bilhão e pedir recuperação judicial, a Apex Partners apresentava projeções de crescimento e materiais que citavam auditoria da KPMG e avaliação da PwC. As duas empresas negam ter feito esses trabalhos. A Apex afirma que os documentos não deixavam claro que dívidas poderiam ser cobradas no curto prazo.

Meses antes de a Apex Partners revelar um rombo de R$ 1 bilhão e pedir recuperação judicial, materiais apresentados a investidores e ao conselho projetavam forte expansão e descreviam auditorias e avaliações em andamento. KPMG e PwC, citadas nos documentos, negam ter auditado ou avaliado os números da empresa; a Apex afirma que informações sobre o prazo de cobrança de dívidas não estavam claras nos balanços e apresentações.

A empresa, um dos maiores escritórios de assessoria de investimentos do Espírito Santo, buscava captar R$ 100 milhões. Em uma apresentação, estimava chegar a R$ 74 bilhões em ativos sob supervisão até 2032. O material também registrava crescimento anual de 44% até 2025 e atribuía a expansão prevista a um modelo de negócios que, segundo a Apex, havia sido validado após dez aquisições.

Os documentos exibiam o logotipo da KPMG e indicavam como “em execução” um serviço de auditoria independente. Outra apresentação dizia que uma das quatro maiores empresas globais do setor auditariam os números naquele ano. A KPMG, porém, afirmou que não prestou auditoria à Apex. Questionada se a referência no material seria fraudulenta, não respondeu.

O cronograma da captação também previa um “valuation PwC” entre as atividades a serem realizadas em abril. A PwC negou ter feito a avaliação. Segundo a empresa, sua atuação foi de assessoria financeira e estratégia de negócios; não incluiu auditoria, verificação independente dos números ou avaliação da Apex. A consultoria afirmou ainda que avisos em uma das apresentações esclareciam que não havia verificado as informações divulgadas pela administração.

A Falconi, também citada nos documentos, disse que seu trabalho se limitava à gestão de rotinas em um sistema de software. A consultoria afirmou que teve acesso a indicadores consolidados da área comercial somente depois de eles serem produzidos pela própria gestão da Apex, sem participar da elaboração dos dados.

Em nota, a Apex declarou que um balanço incluído no material indicava R$ 172 milhões em ativos que poderiam ser convertidos em dinheiro no curto prazo, diante de R$ 53,8 milhões em obrigações com vencimento no mesmo período. A empresa disse que os valores sugeriam R$ 3,20 em ativos de curto prazo para cada R$ 1 em obrigações e, por isso, não apontavam a crise de caixa que se aproximava.

A Apex atribuiu o problema à falta de informação sobre a possibilidade de cobrança antecipada de dívidas da Tesouraria. Segundo a empresa, mecanismos de carência e resgate previstos nos títulos poderiam permitir que credores exigissem pagamentos já no curto prazo, embora os passivos estivessem classificados contabilmente como de longo prazo. A companhia afirmou que essa condição não aparecia com clareza nos materiais apresentados ao conselho nem no balanço.

Fernando Cinelli, então presidente da Apex, disse que a menção à KPMG não significava que a empresa havia sido contratada como auditora. Segundo ele, a contratação de auditoria independente estava sendo avaliada separadamente, enquanto as conversas com a PwC tratavam de estratégia e visão de negócios, não de números. Cinelli afirmou também que a administração elaborou o material de estratégia com apoio técnico da PwC e participação de áreas e sócios da companhia; a apresentação ao conselho foi discutida e deliberada em reunião e depois apreciada em assembleia.

Em 6 de agosto, a Apex afastou Cinelli e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, após uma apuração interna identificar “inconsistências contábeis, gerenciais e financeiras”. A empresa tinha contrato exclusivo de distribuição com o BTG Pactual. Antes de o rombo vir à tona, sua avaliação era de R$ 1 bilhão; depois, pediu recuperação judicial, mecanismo que permite a uma empresa negociar com credores e buscar reorganizar o pagamento de dívidas enquanto tenta manter suas atividades.

Os materiais também informavam que a Apex havia concluído a internalização da contabilidade, mas ainda trabalhava na padronização de processos. A empresa dizia adotar pronunciamentos contábeis para aumentar a confiabilidade e a comparabilidade das demonstrações. Outra apresentação afirmava que havia 25 comitês ativos, entre eles os de investimentos e alocação, sob supervisão do comitê executivo e do conselho.

Para entender

Recuperação judicial
É um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas em crise negociarem com credores um plano de pagamento e tentarem reorganizar suas atividades. A empresa continua funcionando durante o processo, sob regras e supervisão judicial.

Fontes: Estadão

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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