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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Universidade Brown identifica ligação entre fome e memória do álcool

Em moscas-da-fruta, a fome alterou a rapidez com que os animais associaram o álcool a uma recompensa; o estudo não prova o mesmo efeito em humanos.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Moscas-da-fruta em uma superfície de laboratório, em imagem que representa a pesquisa sobre fome e memória do álcool. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Moscas-da-fruta em uma superfície de laboratório, em imagem que representa a pesquisa sobre fome e memória do álcool.
Resumo em 30 segundos

Pesquisadores da Universidade Brown observaram que a fome alterou a formação de memórias que associam o álcool a uma recompensa em moscas-da-fruta. A manipulação de um neurônio ligado à octopamina modificou a velocidade dessa associação. Os resultados não demonstram que a fome cause dependência em seres humanos.

Um estudo da Universidade Brown, nos Estados Unidos, identificou em moscas-da-fruta uma ligação entre a fome e a formação de memórias que associam o álcool a uma recompensa. Os resultados, publicados na revista Current Biology, indicam que a fome pode alterar a resposta ao álcool e ajudar a explicar como estados internos influenciam comportamentos ligados ao vício.

A equipe do Instituto Carney de Ciências do Cérebro analisou neurônios ativados pela fome no cérebro das moscas, usadas como modelo para estudar processos neurais. Em animais privados de alimento, a fome ativou neurônios que contêm octopamina, substância que funciona como neurotransmissor nas moscas e tem relação com a norepinefrina humana.

Os pesquisadores manipularam geneticamente um único neurônio de octopamina, chamado VUMa3. Silenciar ou ativar esse neurônio alterou a velocidade com que as moscas passaram a associar o álcool a uma recompensa. A mudança na preferência por álcool, porém, ocorreu apenas quando os animais estavam com fome.

A pesquisa amplia estudos sobre como as memórias de recompensa podem contribuir para o desejo intenso por álcool. Trabalhos anteriores se concentraram sobretudo em moléculas como a dopamina, enquanto a nova investigação examina como condições do organismo — entre elas fome, sede e dor — podem interferir na formação dessas memórias.

Lewis Sherer, pesquisador de pós-doutorado na Brown e primeiro autor do estudo, afirmou que entender esses mecanismos em moscas pode oferecer pistas sobre como seres humanos associam estímulos do ambiente ao álcool. Segundo ele, esse conhecimento poderá contribuir para investigar formas de prevenir recaídas e tratar a dependência.

Karla Kaun, professora associada de neurociência na Brown e afiliada ao Instituto Carney, disse que a fome pode mobilizar neurônios que se comunicam com circuitos cerebrais envolvidos na associação entre estímulos e sensações de recompensa. Um sinal cotidiano, como a placa de um bar, poderia chamar mais atenção depois de alguém pular uma refeição e aumentar a vontade de beber, exemplificou.

Os autores também apontaram que o estudo pode ajudar a investigar como fatores externos, como a insegurança alimentar, afetam os sistemas internos de recompensa relacionados ao álcool e a outras drogas. Sherer ponderou que experiências de fome ou estresse ao longo da vida podem influenciar a reação de uma pessoa ao álcool e sua propensão à dependência. O experimento, no entanto, foi feito em moscas; os resultados não demonstram, por si só, que a fome cause dependência em seres humanos.

Para entender

Octopamina
Neurotransmissor encontrado em invertebrados, como as moscas. Participa da comunicação entre neurônios e tem relação funcional com a norepinefrina, substância presente em humanos. A pesquisa investigou como neurônios que contêm octopamina respondem à fome e influenciam associações com o álcool.

Fontes: O Globo

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