Megarraptor identificado na Europa amplia pistas sobre evolução do grupo
Fóssil encontrado na Ilha de Wight, na Inglaterra, pertence a um predador de cerca de cinco metros que viveu há 120 milhões de anos.
Resumo em 30 segundos
Uma caixa craniana guardada por décadas no Museu de História Natural de Londres foi identificada como pertencente ao Invictibellatrix amberina, nova espécie de megarraptor. O animal viveu há cerca de 120 milhões de anos na atual Ilha de Wight. É o primeiro megarraptor conhecido na Europa e ajuda a investigar a dispersão do grupo.
Um fragmento de crânio guardado por décadas em uma gaveta de museu foi identificado como pertencente a uma nova espécie de megarraptor, dinossauro carnívoro que viveu há cerca de 120 milhões de anos na região da atual Ilha de Wight, no sul da Inglaterra. Batizada de Invictibellatrix amberina, a espécie é o primeiro megarraptor conhecido na Europa e ajuda a esclarecer a evolução e a dispersão desse grupo.
A descrição do dinossauro foi publicada no dia 14 no periódico Royal Society Open Science. O fóssil, uma caixa craniana fragmentada, foi descoberto há cerca de um século e incorporado ao acervo do Museu de História Natural de Londres em 1924. Ele permaneceu sem identificação na coleção até ser reconhecido por pesquisadores alguns anos atrás.
O Invictibellatrix amberina teria cerca de cinco metros de comprimento e peso semelhante ao de um tigre de grande porte, que pode chegar a 300 quilos. Os cientistas consideram possível que seu corpo tivesse uma cobertura de penas finas, semelhantes a filamentos. O nome da espécie significa “guerreira indomável”.
Os megarraptores faziam parte dos terópodes, grupo que reúne os dinossauros carnívoros. Em comparação com predadores como o Tyrannosaurus rex, tinham crânios menores e mais estreitos, braços longos e fortes, garras grandes nas mãos e esqueletos leves. Essas características indicam que podiam perseguir presas e usar os membros dianteiros para agarrá-las e feri-las.
A espécie recém-identificada estava entre os megarraptores menores e não era o principal predador da Ilha de Wight, onde também viviam terópodes maiores. Ela pode ter caçado mamíferos, répteis pequenos e filhotes de dinossauros, e ocupado um papel semelhante ao de hienas no ecossistema. Megarraptores maiores, por sua vez, provavelmente atacavam dinossauros herbívoros, como hadrossauros e saurópodes, embora não necessariamente os de maior porte.
O contraste com o T. rex ajuda a explicar as diferentes estratégias de caça. O tiranossauro tinha cabeça robusta, dentes grandes e mordida poderosa, mas braços curtos; os megarraptores eram mais dependentes dos braços e das garras. O maior representante conhecido do grupo, chamado Maip, chegava a dez metros e viveu na Patagônia cerca de 50 milhões de anos depois do Invictibellatrix amberina.
A descoberta europeia também acrescenta uma peça a um debate sobre a origem e a trajetória dos megarraptores. Uma hipótese propõe que o grupo surgiu na Ásia, atravessou a Europa rumo à África e depois chegou à América do Sul. A falta de fósseis europeus identificados até agora dificultava sustentar esse percurso; o novo exemplar oferece evidência de que o grupo esteve no continente.
Ao longo do tempo, megarraptores se tornaram predadores de topo na América do Sul, na Austrália e na Antártida, enquanto tiranossauros ocuparam esse lugar na América do Norte e na Ásia. A posição exata dos megarraptores na árvore evolutiva dos terópodes continua em discussão: uma das hipóteses os considera parentes próximos dos tiranossauros.
Os pesquisadores também observam que o porte menor poderia tornar o Invictibellatrix amberina mais perigoso para uma pessoa do que um T. rex. Segundo Cassius Morrison, autor principal do estudo, um humano seria pequeno demais para justificar o gasto de energia de um predador colossal como o tiranossauro, mas poderia representar uma presa de tamanho adequado para um megarraptor ágil. A comparação é uma hipótese sobre o comportamento dos animais, não um registro direto de como caçavam.