Trump tem ação de difamação contra o Wall Street Journal rejeitada
O juiz Darrin Gayles concluiu que a nova versão do processo não apresentava alegações suficientes e proibiu que o presidente reapresente a ação.
Resumo em 30 segundos
Um juiz federal da Flórida rejeitou definitivamente o processo de difamação de US$ 10 bilhões movido por Donald Trump contra o Wall Street Journal, a empresa controladora do jornal e Rupert Murdoch. A ação foi motivada por uma reportagem sobre uma carta de aniversário atribuída a Trump e enviada a Jeffrey Epstein.
Um juiz federal da Flórida rejeitou neste sábado (31) o processo de difamação de US$ 10 bilhões movido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Wall Street Journal (WSJ), por causa de uma reportagem sobre uma carta de aniversário atribuída a ele e enviada ao financista Jeffrey Epstein. A decisão impede que Trump apresente novamente a ação, que também tinha como réus a empresa controladora do jornal e Rupert Murdoch, presidente emérito do grupo.
O juiz Darrin Gayles, de Miami, concluiu que a versão reformulada da ação não apresentou alegações suficientes para seguir adiante. Ele havia rejeitado o processo em abril por falta de provas, mas permitiu que Trump apresentasse uma nova queixa, protocolada em maio.
A reportagem que motivou o processo afirmava que Trump teria enviado a Epstein uma carta de aniversário com conteúdo sugestivo. Epstein foi condenado por crimes sexuais. Trump negou ter escrito a mensagem e classificou a carta como falsa.
Ao avaliar a ação, Gayles rejeitou o argumento de que o jornal não deveria ter publicado a reportagem após a negativa do presidente. “De fato, se essa fosse a lei, sempre que uma figura pública ou sua equipe negasse uma acusação, os jornalistas seriam imediatamente impedidos de publicar notícias negativas ou contraditórias — um resultado que afronta” a Primeira Emenda, escreveu o juiz.
A Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos protege, entre outros direitos, a liberdade de expressão e de imprensa. Na decisão, Gayles também observou que o artigo informou os leitores sobre a negativa de Trump. O juiz afirmou que o presidente se apoiava em argumentos frágeis ao sustentar que o jornal não havia investigado adequadamente a história, e mencionou o trabalho de apuração dos jornalistas.
A Dow Jones & Co., proprietária do WSJ, declarou estar satisfeita com a decisão. Na defesa do processo, o jornal e os demais réus sustentaram que a reportagem era precisa e que Trump buscava silenciar críticas da imprensa. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A ação integra uma série de processos movidos por Trump ou por interesses comerciais ligados a ele desde que voltou à Casa Branca no ano passado. Entre eles estão ações bilionárias contra o New York Times e a BBC. Vários desses processos enfrentaram obstáculos recentemente.
Para entender
- Primeira Emenda
- Parte da Constituição dos Estados Unidos que protege liberdades como a de expressão e a de imprensa. O juiz citou essa proteção ao rejeitar o argumento de que o jornal não deveria ter publicado a reportagem depois que Trump negou ter escrito a carta.