Trump diz não querer imigrantes noruegueses após ficar sem Nobel da Paz
Em comício em Michigan, o presidente também insultou a Noruega; o ministro das Relações Exteriores do país lembrou que o comitê do prêmio é independente.
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Donald Trump atacou a Noruega em um comício em Michigan e disse que não quer imigrantes noruegueses nos Estados Unidos, relacionando a declaração à falta do Nobel da Paz. O ministro norueguês Espen Barth Eide respondeu que o comitê responsável pela premiação é independente do governo do país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou a Noruega em um comício no domingo, em Port Huron, Michigan, e disse que não quer imigrantes noruegueses no país porque não recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Ele também chamou o país europeu de “país de merda”. A declaração ocorreu às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
“Francamente, a Noruega é uma porcaria. A Noruega se tornou um país de merda, na verdade”, afirmou Trump no evento. Em seguida, disse que receberia imigrantes de alguns países, mas não da Noruega. “Então, não quero ninguém da Noruega”, declarou, relacionando a posição à ausência do Nobel.
O ministro das Relações Exteriores norueguês, Espen Barth Eide, respondeu nesta segunda-feira que o Comitê do Nobel é independente. “Ele sabe muito bem que o Comitê do Nobel é independente. Nós o lembramos disso, caso alguém tivesse alguma dúvida, e isso continua sendo assim”, disse Eide à rádio pública NRK.
O prêmio não é concedido pelo governo da Noruega. Embora a cerimônia ocorra em Oslo, a escolha do Nobel da Paz cabe a um comitê independente, formado por cinco integrantes indicados pelo Parlamento norueguês. A resposta de Eide buscou separar a decisão do comitê das ações do governo do país.
Trump manifesta há anos o desejo de receber a honraria. Neste ano, a escolhida foi Navi Pillay, juíza sul-africana e ex-alta comissária da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Trump chamou a decisão de “vergonhosa e constrangedora”.
No ano passado, María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, recebeu o Nobel da Paz, e Trump também demonstrou irritação por não ter sido contemplado. Em 2018, durante o primeiro mandato, ele foi criticado por usar expressões vulgares semelhantes ao falar do Haiti e de alguns países africanos.
Trump iniciou seu segundo mandato em janeiro de 2025. A eleição legislativa de 3 de novembro, mencionada no contexto do comício, é uma votação de meio de mandato: nos Estados Unidos, esse pleito ocorre entre eleições presidenciais e pode alterar a composição do Congresso, responsável por aprovar leis e fiscalizar o governo.