Três estrangeiros são presos no Peru com 3 mil tarântulas
Os animais estavam escondidos em meias dentro de três malas, e as autoridades investigam se seriam destinados à venda ou a coleções particulares.
Resumo em 30 segundos
Dois alemães e um polonês foram detidos no aeroporto de Lima antes de embarcar para a Alemanha. As autoridades peruanas apreenderam mais de 3 mil tarântulas, entre ovos, filhotes e adultas. Parte das espécies ainda está sendo identificada; uma delas é considerada vulnerável no Peru. Os animais ficarão sob custódia estatal.
Três estrangeiros foram presos no Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, no Peru, quando tentavam embarcar para a Alemanha com mais de 3 mil tarântulas escondidas em meias, dentro de três malas. Os animais, de diferentes espécies e fases de desenvolvimento, foram apreendidos por autoridades peruanas antes do voo.
Entre os exemplares havia ovos, filhotes e aranhas adultas. A técnica de controle florestal e de fauna silvestre do Serviço Nacional Florestal e de Fauna Silvestre (Serfor), Cora Suárez, afirmou que os animais estavam acondicionados em meias nas bagagens. A identificação científica de parte deles ainda está em andamento; algumas espécies podem não ter sido descritas pela ciência.
Os detidos são dois cidadãos alemães e um polonês. A operação começou após uma denúncia anônima enviada à plataforma Alerta Serfor, do governo peruano. Equipes especializadas acompanharam a investigação e localizaram os suspeitos no setor de atendimento do aeroporto, pouco antes do embarque.
Segundo as autoridades, as tarântulas poderiam ter sido recolhidas em diferentes regiões do Peru, como Junín, Loreto, Cajamarca, Cusco e La Libertad. Entre os animais identificados estão exemplares do gênero Pamphobeteus e outros classificados preliminarmente como Thrixopelma lagunas, Antikuna sp. e Avicularia sp. Também foi apreendida a Pamphobeteus antinous, espécie considerada vulnerável na lista peruana de animais silvestres ameaçados de extinção.
A investigação apura o destino dos aracnídeos. O Serfor considera que eles poderiam ser levados para coleções particulares, pesquisas científicas ou comercialização no mercado de animais de estimação. Um dos detidos seria um pesquisador conhecido por trabalhos sobre tarântulas, informação que também será analisada pelas autoridades.
Os três são investigados pela Procuradoria Especializada em Matéria Ambiental e foram detidos por agentes da Polícia Nacional do Peru especializados em crimes ambientais. A legislação peruana proíbe a exportação de animais silvestres sem documentação e autorização. Pelo artigo 308 do Código Penal, transportar, comercializar ou exportar espécies da fauna sem permissão pode resultar em três a cinco anos de prisão e multa; em situações agravantes, a pena prevista sobe para quatro a oito anos.
Além das consequências criminais, a lei florestal peruana prevê sanções administrativas para captura, transporte e comércio ilegais de animais silvestres. Enquanto as autoridades concluem a investigação e a identificação dos exemplares, as tarântulas ficarão sob custódia estatal. Depois, devem ser levadas a um centro de criação autorizado.