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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Estudo da OEA traça perfil de mulas do tráfico presas na Espanha

Pesquisa da CICAD ouviu 386 pessoas no Peru e na Espanha; 85,9% transportavam drogas pela primeira vez e mais de 60% apontaram dificuldades econômicas.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mala ao lado de uma esteira de inspeção em um aeroporto, com um viajante ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mala ao lado de uma esteira de inspeção em um aeroporto, com um viajante ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Estudo da Organização dos Estados Americanos analisou entrevistas com 386 pessoas presas por transportar drogas. A maioria fazia o transporte pela primeira vez, e mais de 60% disseram ter aceitado a tarefa por dificuldades econômicas. Amizades foram citadas como fator de recrutamento em 61% dos casos, enquanto uma em cada cinco pessoas relatou coação ou influência.

Quase 90% das pessoas presas por transportar drogas entre países da América Latina e a Espanha nunca haviam feito esse tipo de transporte, e mais de 60% disseram ter aceitado a tarefa por dificuldades econômicas. Os dados fazem parte de um estudo publicado nesta quinta-feira (22) pela Organização dos Estados Americanos (OEA), com entrevistas realizadas no Peru e na Espanha.

A pesquisa foi conduzida pela Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (CICAD), órgão ligado à OEA, ao longo de dois anos. Foram entrevistadas 386 pessoas de países da América Latina e do Caribe, além de outras regiões, para identificar o perfil dos chamados correios humanos de drogas, conhecidos como “mulas do tráfico”.

O levantamento aponta que 85,9% dos participantes transportavam drogas pela primeira vez e que 87,5% nunca tinham sido encarcerados. Os números indicam que a maioria não se encaixa no perfil de profissionais do narcotráfico, segundo a avaliação dos responsáveis pelo estudo.

As pessoas recrutadas recebem entre US$ 6 mil e US$ 9 mil por viagem — valores equivalentes a cerca de R$ 30 mil a R$ 45 mil — para levar drogas, principalmente cocaína, em malas ou junto ao corpo. O transporte pode ocorrer em voos diretos ou com escalas. Em 70% dos casos, as organizações criminosas pagam todas as despesas da viagem.

O diretor do projeto, Antonio Lomba, afirmou que os grupos criminosos procuram pessoas em diferentes situações de vulnerabilidade. Uma em cada cinco entrevistadas ou entrevistados entrou nesse ciclo por coação ou influência, enquanto as amizades foram apontadas como fator de entrada em 61% dos casos.

Há diferenças entre homens e mulheres nas formas de recrutamento. Parceiros foram citados como motivo para aceitar o transporte em 14% dos casos entre as mulheres, ante 0,7% entre os homens. Os homens também recebem pagamentos ligeiramente maiores, conforme o estudo.

Lomba afirmou que, quando ocorre uma prisão, os responsáveis pelo recrutamento costumam desaparecer, deixando o transportador diante das consequências legais. Segundo ele, algumas pessoas saem de casa dizendo que voltarão em dois dias, mas acabam ficando longe dos filhos e de familiares idosos por seis ou sete anos, devido às penas de prisão.

A CICAD é uma comissão da OEA dedicada ao controle do abuso de drogas. O estudo busca descrever quem são os transportadores de drogas e como são levados a participar da atividade, informação que pode ajudar a compreender o papel da vulnerabilidade econômica e das relações pessoais no recrutamento.

Para entender

CICAD
A Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas é um órgão da Organização dos Estados Americanos. Atua na cooperação entre países das Américas para enfrentar os problemas relacionados às drogas e apoiar políticas de prevenção e controle.
Mulas do tráfico
Expressão usada para designar pessoas que transportam drogas para organizações criminosas, por exemplo, em bagagens ou junto ao corpo. O transporte pode envolver viagens aéreas e expõe essas pessoas à prisão e a processos criminais.

Fontes: Zero Hora

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