Transparência Internacional cobra Lula por ações contra corrupção
A entidade afirma que a vitória deve ser respeitada e pede autonomia para órgãos de controle e maior independência de reguladores como a CVM.
Resumo em 30 segundos
A Transparência Internacional-Brasil defendeu que o resultado da eleição seja respeitado e cobrou do presidente reeleito medidas mais firmes contra a corrupção. A organização pediu a recuperação da autonomia e da capacidade dos órgãos de controle, além do fortalecimento da independência de instituições como a CVM e as agências reguladoras.
A Transparência Internacional-Brasil afirmou nesta segunda-feira que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial deve ser respeitada por todos os atores políticos, mas cobrou do presidente reeleito medidas mais firmes contra a corrupção. A manifestação foi divulgada um dia depois de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, dizer que não aceitaria o resultado.
Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio, e garantiu um quarto mandato. O presidente recebeu 68.256.232 votos, enquanto o senador teve 59.826.041, segundo o resultado final. No primeiro turno, Lula havia ficado atrás do adversário: obteve 45,16%, contra 47,03% de Flávio.
A organização disse que a margem estreita da disputa não deve ser tomada como aprovação irrestrita do governo nem como autorização para manter práticas que, em sua avaliação, agravaram problemas institucionais. Para a entidade, o resultado expõe a divisão do país e a expectativa de respostas a questões ainda sem solução.
Em nota, a Transparência Internacional-Brasil reconheceu que Lula tem histórico de respeito à ordem constitucional e ao processo eleitoral. Ao mesmo tempo, atribuiu parte das fragilidades institucionais do país a decisões, omissões e prioridades de seus governos.
A ONG criticou o que considera uma perda de prioridade do combate à corrupção na agenda governamental e apontou falta de iniciativas para fortalecer a independência e a credibilidade de instituições públicas. Também citou o uso da máquina pública e o aumento de gastos em períodos eleitorais como fatores que, segundo a entidade, afetam a igualdade da disputa e exigem respostas institucionais.
Como medidas para enfrentar o problema, a organização defendeu a recuperação da autonomia, das equipes técnicas, dos recursos orçamentários e da capacidade de atuação dos órgãos de controle e fiscalização. Também pediu o fortalecimento da independência e da qualidade regulatória de instituições como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as agências reguladoras. A CVM fiscaliza e regula o mercado de valores mobiliários, incluindo atividades ligadas à negociação de ações.
A disputa teve uma virada entre os turnos. Lula terminou a primeira etapa com 2.224.965 votos a menos que Flávio, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e reverteu a diferença na votação final. Na reta final da campanha, pesquisas Datafolha e Quaest indicavam empate técnico, com vantagem numérica de Flávio entre os votos válidos.
A declaração da ONG também ocorre após Flávio afirmar que não aceitaria a derrota. Durante a campanha, porém, o senador havia dito que respeitaria o resultado das urnas, independentemente de quem vencesse.