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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Tesouro prepara primeira emissão de Panda Bonds do Brasil

A captação pode chegar a 5 bilhões de yuans e ocorrer ainda em outubro, após o segundo turno; operação busca diversificar o financiamento público.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Arranha-céus de um distrito financeiro chinês ao entardecer, vistos por uma pessoa de costas. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Arranha-céus de um distrito financeiro chinês ao entardecer, vistos por uma pessoa de costas.
Resumo em 30 segundos

O Tesouro prepara a primeira emissão de Panda Bonds pelo Brasil, títulos de dívida lançados por emissores estrangeiros no mercado chinês. A operação pode captar até 5 bilhões de yuans e aproximar o país de investidores asiáticos. A iniciativa também pode servir de referência para empresas brasileiras interessadas em captar na China.

O Brasil prepara sua primeira emissão de títulos de dívida no mercado chinês, em uma operação que pode ocorrer ainda em outubro, depois do segundo turno. A captação poderá chegar a 5 bilhões de yuans, equivalentes a R$ 3,76 bilhões nesta quarta-feira, e será feita por meio de Panda Bonds, nome dado aos títulos emitidos por estrangeiros no mercado local da China.

A operação é conduzida pelo Tesouro, que iniciou os trâmites junto aos reguladores chineses em julho. Nos últimos dias, representantes do governo têm se reunido com investidores asiáticos para apresentar a emissão. O Bank of China atua como um dos assessores.

A iniciativa busca ampliar as fontes de financiamento do governo e aproximar o país de investidores da Ásia. O Brasil costuma captar no mercado internacional em dólares e euros. Em abril, levantou 5 bilhões de euros.

Além dos recursos para o Tesouro, a emissão poderá estabelecer uma referência de custos e juros para empresas brasileiras que queiram captar em yuans. A Vale, por exemplo, pediu registro na Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro da China (NAFMII) para um programa de títulos de até 10 bilhões de yuans, equivalente a R$ 7,568 bilhões.

A emissão de Panda Bonds exige adaptação às regras do mercado chinês, que tem menor liquidez do que o norte-americano. Empresas emissoras precisam seguir padrões locais de divulgação de balanços e obter classificação de risco de uma agência chinesa. Os papéis costumam ser comprados por instituições financeiras, que os direcionam a fundos de investimento ou mantêm os títulos em suas próprias tesourarias.

A Suzano foi a primeira empresa não financeira das Américas a emitir Panda Bonds, em 2024. Captou 2,6 bilhões de yuans, cerca de US$ 385 milhões na época, com títulos que vencem em 2027. O mercado desses papéis cresce 30% ao ano.

A estreia soberana brasileira pode ampliar a visibilidade do país entre investidores chineses e facilitar futuras captações de empresas nacionais. A emissão também ajudaria a diversificar a base de compradores da dívida pública, que é o conjunto de recursos captados pelo governo para financiar suas necessidades e cujos títulos têm prazos e custos definidos na operação.»

Fontes: Estadão, Gazeta do Povo

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