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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Indústria do trigo prevê importar mais de 9 milhões de toneladas

A estimativa supera a previsão inicial de 7,5 milhões e reflete a safra brasileira menor e a preocupação com a qualidade do trigo argentino.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Grãos de trigo seguem por uma esteira em uma indústria de moagem de farinha. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Grãos de trigo seguem por uma esteira em uma indústria de moagem de farinha.
Resumo em 30 segundos

A indústria brasileira de trigo estima importar mais de 9 milhões de toneladas no ciclo atual, acima da previsão inicial de 7,5 milhões. A safra nacional está projetada em 5,7 milhões de toneladas após problemas climáticos no Sul. Custos de diesel e enxofre também pressionam a produção, mas os moinhos tentam evitar repasses à farinha.

A indústria brasileira de trigo estima que precisará importar mais de 9 milhões de toneladas no ciclo atual, acima da previsão inicial de 7,5 milhões, diante da redução esperada na safra nacional e de preocupações com a qualidade do trigo argentino. A avaliação foi apresentada por Rubens Barbosa, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), antes do congresso do setor marcado para os dias 21 a 23 deste mês, no Rio de Janeiro.

A produção brasileira está projetada em 5,7 milhões de toneladas, após problemas climáticos no Rio Grande do Sul e no Paraná. Em condições normais, o país costuma importar entre cinco e seis milhões de toneladas, segundo Barbosa. A necessidade adicional de compras externas também está relacionada à qualidade inferior do trigo da Argentina, importante fornecedora do Brasil.

Parte do trigo importado vem da Rússia, mas Barbosa afirmou que esse volume é pequeno e que não há problemas relatados na chegada do produto ao país. Segundo ele, a situação geopolítica ligada à guerra na Ucrânia pressiona custos de transporte e seguro e contribui para encarecer insumos como diesel e fertilizantes.

O aumento no custo do diesel e do enxofre também afeta a produção agrícola brasileira, de acordo com o dirigente. A indústria precisa comprar mais desses insumos e manter estoques, o que acrescenta despesas à cadeia do trigo e pode repercutir no preço da farinha.

Barbosa disse, porém, que os moinhos buscam absorver parte dos custos para evitar repasses ao consumidor. Ele avaliou que o efeito da farinha sobre o preço de produtos derivados, como o pão, é pequeno: segundo informações citadas por ele, a energia responde por 85% do custo de produção desses itens, além de haver outras despesas.

A moagem de farinha aumentou discretamente, de 25% para 26%, sinal de pequena alta na demanda, segundo Barbosa. Para conter os custos, os moinhos têm racionalizado as operações e tentado elevar a eficiência, enquanto o setor discute o cenário no Congresso Internacional da Indústria do Trigo.

A farinha de trigo é produzida pela moagem dos grãos e serve de matéria-prima para pães e outros alimentos. Por isso, mudanças no custo do trigo podem afetar a indústria de alimentos, embora o preço final também dependa de energia, transporte e demais componentes da produção.

Para entender

Abitrigo
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo representa empresas do setor no país. A entidade reúne participantes da cadeia do trigo e promove discussões sobre produção, moagem, abastecimento e mercado.

Fontes: Zero Hora

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