Ted Bundy é ligado a assassinato de Melissa Ann Smith por DNA
Autoridades de Utah anunciaram a identificação em 27 de outubro, após análise de vestígios preservados desde a morte da adolescente, em 1974.
Resumo em 30 segundos
Um exame de DNA avançado levou autoridades de Utah a atribuir a Ted Bundy o assassinato de Melissa Ann Smith, de 17 anos. O corpo da jovem foi encontrado em 1974. A análise de material coletado na autópsia foi possível com uma tecnologia recebida pelo laboratório criminal estadual em 2023.
Um exame de DNA avançado confirmou que Ted Bundy matou Melissa Ann Smith, de 17 anos, cujo corpo foi encontrado em 1974 por caçadores no condado de Summit, em Utah. A conclusão foi anunciada por autoridades norte-americanas na terça-feira (27), mais de cinco décadas depois do crime, que passa a ser oficialmente associado ao assassino em série.
O material genético foi obtido durante a autópsia de Smith. Segundo o sargento Mike Reynolds, as evidências continham um perfil genético muito semelhante ao de Bundy. A promotora do condado de Summit, Margaret Olson, afirmou que o caso apresenta características compatíveis com o padrão, o motivo e os meios usados pelo criminoso.
Os investigadores já suspeitavam de Bundy, mas a confirmação foi possível após conexões entre o caso de Smith e o de Laura Aime, outra vítima dele em Utah. O caso de Aime foi encerrado em abril. As autoridades disseram que as apurações sobre crimes atribuídos a Bundy continuam.
A identificação foi viabilizada por uma tecnologia de análise genética que o laboratório criminal estadual recebeu em 2023. O equipamento consegue recuperar DNA de amostras pequenas ou degradadas pelo tempo e separar material genético misturado de diferentes pessoas, recursos importantes para examinar provas preservadas por décadas.
A preservação das evidências também permitiu que investigadores retomassem materiais antigos. Um frasco coletado após a prisão de Bundy, em 1975, continha sangue do criminoso e foi localizado em 2011. A xerife do condado de Salt Lake, Rosie Rivera, disse que o caso demonstra a importância de guardar provas e usar a ciência para esclarecer homicídios antigos. Ela afirmou que as autoridades de Utah não pretendem atribuir automaticamente a Bundy casos ainda sem solução.
Smith cursava o último ano do ensino médio quando desapareceu, em outubro de 1974. Seu corpo apresentava sinais de tortura e violência sexual, segundo as informações divulgadas pelas autoridades. No mesmo mês, Nancy Wilcox, de 16 anos, desapareceu no condado de Salt Lake; o caso dela continua sem solução e ela é considerada uma das primeiras possíveis vítimas de Bundy.
Bundy foi condenado por assassinar pelo menos 30 mulheres e meninas em diferentes estados norte-americanos durante a década de 1970. Ele abordava mulheres em locais públicos e, em alguns casos, usava charme ou fingia estar ferido para atraí-las a lugares isolados. Foi preso em 1975, escapou duas vezes da cadeia e voltou a cometer crimes antes de ser capturado definitivamente em 1978. Permaneceu encarcerado por 11 anos e foi executado na cadeira elétrica, na Flórida.
Nos últimos dias de vida, Bundy confessou crimes que ainda não foram confirmados. Os familiares de Smith foram informados sobre a identificação, mas não compareceram à entrevista coletiva nem falaram com os repórteres, segundo o gabinete do xerife do condado de Summit. Os pais da jovem já morreram.