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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Eleições de meio de mandato nos EUA podem mudar controle do Congresso

Marcada para 3 de novembro, a votação renova parte do Congresso e pode afetar o teto da dívida dos EUA, as nomeações de Trump e a fiscalização do governo.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Capitólio dos Estados Unidos em Washington, com eleitores caminhando pela praça em um dia de votação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Capitólio dos Estados Unidos em Washington, com eleitores caminhando pela praça em um dia de votação.
Resumo em 30 segundos

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos podem mudar o controle da Câmara e do Senado. A composição do Congresso influencia decisões sobre gastos públicos, teto da dívida e nomeações presidenciais, além da fiscalização do governo Trump. O resultado também pode afetar debates sobre imigração, clima, inteligência artificial e criptomoedas.

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça-feira, podem alterar a disputa sobre gastos públicos, o teto da dívida e as nomeações de Donald Trump. O resultado também definirá o grau de fiscalização do Congresso sobre o presidente e poderá influenciar debates sobre inteligência artificial, criptomoedas e política climática.

Os eleitores escolherão representantes para o Congresso no meio do mandato presidencial. A votação serve para renovar a composição das duas casas legislativas e pode mudar qual partido controla a Câmara dos Representantes e o Senado. Essa divisão importa porque o Congresso aprova leis e recursos, fiscaliza o Executivo e, no Senado, decide sobre indicações a cargos federais, incluindo postos no Judiciário.

A disputa de 2026 ocorre em um contexto de preocupação com o custo de vida, associado, entre outros fatores, à guerra no Irã. Analistas avaliam que uma eventual vitória democrata poderia ampliar os gastos com saúde. Se os republicanos mantiverem ou reforçarem sua posição, a prioridade poderá ser reduzir impostos sobre ganhos de capital.

Um dos temas econômicos centrais será o teto da dívida, limite legal para o montante que o governo federal pode tomar emprestado para cumprir obrigações já aprovadas. Se o Congresso não elevar esse limite, o governo pode ficar sem recursos para pagar compromissos, com risco de paralisação. A estimativa citada por analistas é que uma falta de acordo poderia interromper o funcionamento do governo até meados de 2027.

Caso os democratas retomem uma ou ambas as casas, poderão tentar aprovar financiamento temporário e deixar a negociação mais ampla para o ano seguinte, quando teriam mais influência sobre a agenda de gastos. Especialistas também esperam que o partido use a discussão como instrumento de negociação com os republicanos, o que poderia prolongar o impasse.

Uma maioria democrata não significaria, por si só, a reversão das políticas de Trump. O presidente ampliou a atuação do Executivo e várias de suas decisões foram validadas pela Suprema Corte, o que limita a capacidade do Congresso de desfazê-las diretamente. Ainda assim, parlamentares democratas poderiam abrir investigações e audiências, cobrar explicações do governo e contestar decisões presidenciais.

O Senado é particularmente relevante para as nomeações. Se os democratas conquistarem a maioria na casa, Trump poderá enfrentar obstáculos para confirmar indicados, inclusive para o Judiciário. O Congresso também pode pressionar por meio do orçamento, restringindo recursos destinados a determinadas políticas, embora cortes de financiamento possam ser politicamente difíceis.

Na política externa, um Congresso com maior presença democrata poderia aumentar a pressão sobre o governo em relação à guerra no Irã. No entanto, uma maioria simples dificilmente reuniria os dois terços necessários para derrubar um veto presidencial e impor restrições legislativas. Parlamentares ainda poderiam recorrer a resoluções, pedidos de tramitação prioritária e ações judiciais para contestar a condução do governo.

As tarifas comerciais também devem continuar sob forte controle da Casa Branca. Trump trata a política tarifária como atribuição do Executivo, com justificativas ligadas à segurança nacional e ao balanço de pagamentos, o que dificultaria uma tentativa do Congresso de revertê-la. Analistas esperam que o presidente mantenha pressão comercial sobre outros países, enquanto uma mudança de maioria poderia elevar a fiscalização sobre suas decisões.

A política migratória e a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) também poderiam ser alvo de disputas orçamentárias e de supervisão. Como Trump ampliou o alcance do órgão por meio de decretos presidenciais, uma mudança legislativa não seria simples. No campo climático, uma maioria democrata poderia recolocar a transição energética na agenda do Congresso.

Tecnologia será outro foco. Uma maioria republicana é vista por analistas como mais favorável à expansão de inteligência artificial e centros de dados, com menos entraves regulatórios e licenças mais simples. Uma vitória democrata ampla poderia resultar em mais regras para setores como inteligência artificial e criptomoedas, alterando as condições de operação das empresas.

Para entender

Eleições de meio de mandato
São eleições realizadas no meio do período presidencial nos Estados Unidos. Além de disputas para outros cargos, os eleitores escolhem representantes para o Congresso, que é formado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado.

Fontes: Valor Econômico

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