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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Tarcísio abre disputa na direita ao admitir candidatura em 2030

O governador condicionou uma eventual candidatura presidencial ao desempenho de seu segundo mandato em São Paulo e à avaliação de seu grupo político.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Tarcísio de Freitas fala em um evento público diante de pessoas sentadas. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Tarcísio de Freitas fala em um evento público diante de pessoas sentadas.
Resumo em 30 segundos

A possibilidade de disputar a Presidência em 2030, mencionada por Tarcísio de Freitas, gerou desconforto no PL, que ainda discute como manter Flávio Bolsonaro à frente da oposição. Michelle Bolsonaro também aparece como possível liderança nacional. A disputa por influência alcança o Senado, cuja presidência será definida em fevereiro de 2027.

A declaração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de que poderá disputar a Presidência em 2030 abriu uma disputa por espaço na direita após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A fala provocou mal-estar entre integrantes do PL, enquanto aliados do governador e da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) avaliam caminhos para ampliar a influência de ambos.

Tarcísio tratou da possibilidade em entrevista publicada na quinta-feira (29), mas condicionou qualquer decisão ao desempenho de seu segundo mandato e ao cenário político. Reeleito no primeiro turno com 62% dos votos válidos, ele afirmou que sua prioridade é cumprir o compromisso com o estado e que um projeto nacional dependeria de uma avaliação feita em grupo.

“E aí 2030 é outra conversa. A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato no Estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente, abre uma possibilidade”, disse. O governador também afirmou que a política deve estar associada aos resultados da gestão e defendeu a escolha de secretários com perfil técnico.

Parte dos integrantes do PL considerou precipitada a manifestação, feita poucos dias depois da derrota de Flávio e enquanto o senador reivindica a liderança da oposição. Aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam que Tarcísio se colocou cedo demais como alternativa para a próxima eleição presidencial. O incômodo é maior porque o governador apoiou Flávio na campanha e havia defendido a escolha feita por Jair Bolsonaro.

A desconfiança em relação a Tarcísio, porém, antecede a declaração. Durante as articulações para a eleição deste ano, o governador era considerado um possível candidato ao Planalto, mas Jair Bolsonaro escolheu o filho. Tarcísio permaneceu na disputa estadual, participou de agendas com Flávio e colaborou na preparação do senador para debates, embora integrantes do entorno dele tenham avaliado que o governador poderia ter se empenhado mais.

Após o resultado, Tarcísio reconheceu a vitória de Lula e defendeu que a eleição havia terminado. Também se afastou da iniciativa de contestar o resultado e pedir a anulação do pleito. Em vídeo publicado na terça-feira (27), agradeceu a Flávio por ter caminhado ao lado de quem buscava mudança e pregou a união da direita.

Flávio deixou o Brasil nesta semana e publicou uma carta na quarta-feira (28), na qual afirmou que seria a liderança da oposição. A reação de dirigentes do PL foi negativa: o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, disse que não gostou do documento, e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), classificou como “erro de confecção” a apresentação inicial de Flávio como presidente. O senador substituiu depois essa designação por “líder do Brasil”.

A saída do país enfraqueceu, entre aliados, a expectativa de que Flávio organizasse a oposição à distância. Integrantes do partido ironizaram a possibilidade de uma atuação em “home office”. Ao mesmo tempo, aliados discutem como preservar o protagonismo do senador, e há quem considere que ele possa anunciar uma candidatura presidencial para 2030.

Nesse cenário, Michelle Bolsonaro também aparece como possível liderança nacional. Valdemar e a cúpula do PL trabalham para que ela retome a presidência do PL Mulher, estrutura partidária voltada à mobilização de mulheres e à formação de candidaturas. Aliados da ex-primeira-dama afirmam que ela tem projeto próprio e ganhou espaço político, mas setores do partido ainda questionam se poderia se consolidar como alternativa à Presidência.

Michelle foi eleita senadora pelo Distrito Federal e terá mandato a partir de 2027. Durante a campanha, manteve distância pública de Flávio e concentrou esforços na candidatura ao Senado e na reeleição de Celina Leão (PP) ao governo do Distrito Federal. Parte dos aliados dela atribui sua projeção à saída de Flávio do país; outros integrantes do PL não querem que ela assuma uma posição de comando na bancada do Senado.

A disputa por influência também passa pelo Congresso. O PL deverá contar com 29 senadores, e a força da bancada na oposição ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal dependerá, em parte, da eleição para a presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027. Marinho pretende disputar o posto, hoje ocupado por Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a reeleição e afirma ter votos, inclusive entre integrantes do PL.

Caso Marinho não reúna os 41 votos necessários, oposicionistas discutem apoiar Tereza Cristina (PP-MS), líder do PP no Senado. A definição deve ser debatida em reunião marcada para quarta-feira (4). A escolha também pode alterar o equilíbrio interno da oposição, já que uma candidatura de Tereza Cristina reduziria o protagonismo do PL na disputa.

Tarcísio, por sua vez, enfrenta o desafio de consolidar sua imagem para além do apoio bolsonarista sem romper com a família Bolsonaro. Aliados avaliam que a gestão paulista e os resultados em áreas como segurança pública e educação serão importantes para qualquer projeto nacional. O governador também conta com uma aliança estadual que inclui MDB, PP, União Brasil e PSD, ampliando sua base para além do PL.

Fontes: Valor Econômico, O Globo

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