Aliados de Flávio Bolsonaro se dividem após derrota para Lula
O presidente venceu por mais de 4 milhões de votos; parte do PL reconhece o resultado, enquanto outros aliados falam em perseguição e defendem o senador.
Resumo em 30 segundos
Após a derrota de Flávio Bolsonaro para Lula, aliados do senador adotaram posições diferentes. O presidente do PL e lideranças evangélicas reconheceram o resultado, enquanto outros falaram em perseguição e questionaram medidas contra o candidato. Tarcísio de Freitas defendeu que a oposição se una para fiscalizar o governo eleito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de domingo, por uma diferença superior a 4 milhões de votos. Na terça-feira, aliados do senador se dividiram entre reconhecer o resultado e sustentar que ele é alvo de perseguição política, em meio a relatos de que teria ido para os Estados Unidos.
A ida de Flávio ao exterior circulou nas redes sociais após a votação, mas as manifestações dos aliados não esclareceram quando ele teria viajado. Parte do entorno do senador vinha tentando convencê-lo a aceitar o resultado e encerrar a disputa eleitoral. As buscas por um resultado ou por quem está à frente entre Lula e Flávio se referem, portanto, ao pleito de domingo: Lula foi o vencedor, segundo o resultado reconhecido por lideranças do PL citadas nas manifestações.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), acompanhou a apuração em Brasília ao lado de Flávio, mas não aderiu às iniciativas do senador para contestar a eleição. Depois da derrota, Flávio havia indicado que poderia pedir a anulação do pleito, alegando a extensão do horário de votação, ou solicitar a cassação da chapa de Lula por abuso de poder político e econômico.
Em um vídeo publicado na terça-feira, Tarcísio afirmou repetidamente que “a eleição passou” e defendeu a união da oposição para fiscalizar o governo. Também criticou o que chamou de “excessos do Judiciário e uso da máquina” durante a campanha. O governador agradeceu a Flávio pela campanha e aos eleitores pelos quase 60 milhões de votos recebidos pelo senador.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também reconheceu o resultado. Na segunda-feira, ele apagou uma publicação em que não respaldava a votação e alterou o texto de uma nota do partido. A versão inicial dizia que a legenda “reconhecia a dimensão do resultado presidencial”; depois, a mensagem passou a afirmar: “reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”.
Outros aliados adotaram posições diferentes. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou que “é preciso aprender a ganhar e a prender”. Já o senador Alfredo Gaspar, escolhido como vice de Flávio na chapa, agradeceu aos eleitores e disse que a campanha enfrentou obstáculos e perseguições. Em nota, manifestou solidariedade ao senador e à família.
O deputado Nikolas Ferreira e Sergio Moro, governador eleito do Paraná, também defenderam Flávio nas redes. Moro questionou a apreensão do passaporte do candidato derrotado e disse considerar compreensível que ele deixasse o país. O deputado Carlos Jordy (PL), eleito senador pelo Rio, afirmou que Flávio teria viajado para não ser usado como “moeda de troca” em uma discussão sobre o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Moraes determinou a entrega dos documentos de Flávio no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. A deputada Caroline de Toni (PL), eleita senadora por Santa Catarina, disse que Flávio poderia ser preso caso voltasse ao Brasil. Essas declarações são manifestações de aliados; a investigação citada não estabelece, por si só, culpa do senador.
Valdemar se reuniu na terça-feira com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal, para conversar sobre o futuro do PL. Lideranças evangélicas que apoiaram Flávio também reconheceram a derrota. O apóstolo Estevam Hernandes, da igreja Renascer em Cristo, afirmou que não lutaria contra a vontade de Deus. Embora parte dos aliados fale em perseguição, outros defendem encerrar a contestação eleitoral e atuar como oposição ao governo eleito.
Para entender
- Tribunal Superior Eleitoral
- O TSE é o órgão máximo da Justiça Eleitoral no Brasil. Entre suas atribuições estão organizar as eleições presidenciais e proclamar oficialmente os resultados do pleito.