Supermercados gaúchos podem rever abertura aos domingos
Sondagem da Agas aponta que 45% dos empresários consideram mudanças se avançarem o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal.
Resumo em 30 segundos
Quase metade dos supermercadistas do Rio Grande do Sul avalia que pode ser necessário rever a abertura aos domingos caso avancem mudanças na jornada de trabalho. A sondagem da Agas também aponta que 15% consideram reduzir o horário de funcionamento. Os dados refletem expectativas do setor, não uma decisão de fechar lojas.
Quase metade dos supermercadistas do Rio Grande do Sul avalia que pode ser necessário rever a abertura das lojas aos domingos caso avancem o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A possibilidade aparece em uma sondagem da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), divulgada nesta quinta-feira (15). O levantamento também indica que 15% dos empresários consideram reduzir o horário de funcionamento.
A escala 6x1 prevê seis dias de trabalho seguidos por um de descanso. A redução da jornada e o fim desse modelo são discutidos como mudanças nas regras de trabalho, mas a sondagem não afirma que as alterações já tenham sido aprovadas nem define quando começariam. A avaliação dos empresários trata de possíveis efeitos caso as mudanças sejam implementadas.
Segundo o presidente da Agas, Lindonor Peruzzo Junior, alguns estabelecimentos já têm dificuldade para contratar trabalhadores para os domingos. Ele citou a região de Lajeado como exemplo e disse que, com jornadas menores, a abertura pode se tornar inviável em determinados locais.
A adaptação dos consumidores é uma das incertezas apontadas pelo setor. A entidade avalia que a mudança de hábito pode ser mais simples em cidades do interior do que em Porto Alegre. Em países como a Alemanha, onde há jornadas reduzidas, parte do comércio fecha aos domingos e os consumidores organizam as compras para outros dias.
Os empresários também temem que lojas menores tenham mais dificuldade para reorganizar equipes do que grandes redes, que contam com mais funcionários. Outra questão envolve os supermercados instalados em shopping centers: contratos podem exigir que os lojistas funcionem todos os dias e durante todo o horário de abertura do complexo.
O setor ainda considera a concorrência com farmácias, que ampliaram a variedade de produtos vendidos. O varejo farmacêutico também teria de se adaptar a eventuais mudanças nas jornadas, segundo a avaliação apresentada pela associação.
Entre as alternativas defendidas por empresários está a chamada “PEC do Horista”, projeto do senador Rogério Marinho (PL-RN). A proposta prevê remuneração proporcional às horas efetivamente trabalhadas, com pagamento também proporcional de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), férias e 13º salário. O texto ainda estabelece a prevalência do contrato individual de trabalho sobre acordos coletivos.
A proposta é uma iniciativa distinta da discussão sobre o fim da escala 6x1. Caso as regras de jornada mudem, a organização das escalas e dos horários de atendimento deverá ser ajustada por empresas e trabalhadores. No Rio Grande do Sul, a pesquisa retrata a expectativa dos supermercadistas, não uma decisão de fechar lojas aos domingos.
Para entender
- Escala 6x1
- Modelo de jornada em que a pessoa trabalha por seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. A discussão sobre o fim da escala envolve mudanças nas regras de organização do trabalho e não significa, por si só, que empresas deixarão de funcionar aos domingos.