Rio Grande do Sul registra 62 feminicídios em 2026 se caso for confirmado
Dados oficiais apontam 54 feminicídios entre janeiro e agosto; o caso investigado em Porto Alegre pode elevar o total estadual para 62.
Resumo em 30 segundos
O Rio Grande do Sul registrou 54 feminicídios entre janeiro e agosto de 2026, quase metade dos 111 assassinatos de mulheres no período. Com a morte de Natacha Rodrigues Mendes, em Porto Alegre, o total do ano pode chegar a 62 se a investigação confirmar feminicídio. A capital já soma 13 vítimas, ante seis em todo 2025.
O Rio Grande do Sul registrou 111 assassinatos de mulheres entre janeiro e agosto de 2026, dos quais 54 foram classificados como feminicídios, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A proporção, de 48,6%, significa que quase metade das mulheres mortas no período foi vítima de violência ligada à condição de gênero. Na terça-feira (13), um homem foi preso em Porto Alegre sob suspeita de matar Natacha Rodrigues Mendes, de 21 anos; se o caso for confirmado como feminicídio, o total estadual neste ano chegará a 62.
Os dados constam no painel do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. Os outros 57 assassinatos de mulheres contabilizados de janeiro a agosto foram registrados como homicídios por motivos diversos, entre eles disputas relacionadas ao crime organizado, vingança e desavenças. A Polícia Civil afirma que as motivações variam e que não há uma causa única para esse conjunto de crimes.
Feminicídio é o assassinato de uma mulher em contexto de violência de gênero. A promotora Ivana Battaglin, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do Ministério Público, afirma que esses crimes muitas vezes são o estágio final de um ciclo anterior de ameaças, humilhações, controle e agressões.
A maior parte dos feminicídios no Estado ocorre em relações íntimas, e os autores costumam ser companheiros ou ex-companheiros. Em muitos casos, a recusa em aceitar o fim do relacionamento e a perda de controle sobre a vítima estão entre os fatores associados ao crime. Battaglin ressalta, porém, que há feminicídios cometidos por pessoas sem vínculo afetivo com a mulher, inclusive em situações de violência sexual ou marcadas por misoginia e tentativa de controlar o corpo e a liberdade da vítima.
Entre os casos do ano está o de Marlei de Fátima Froelick, agricultora de 53 anos morta a tiros em janeiro. O ex-marido, Waldir Abling, de 57 anos, foi apontado como autor do crime. Segundo o relato do caso, ele não aceitava o término do relacionamento e a matou em uma emboscada, na porteira da propriedade onde ela havia trabalhado durante boa parte da vida.
Em maio, Isabella Borges da Rosa Pacheco, de 22 anos, foi morta a tiros no bairro Santa Tereza, na zona sul de Porto Alegre. O companheiro foi preso como suspeito. Isabella era mãe de um bebê de um ano e quatro meses e tinha uma medida protetiva contra ele, mas havia retomado o relacionamento. Ela pediu a revogação da medida; antes de analisar o pedido, a Justiça determinou que ela passasse por acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.
A vítima encontrada na casa do suspeito preso na terça-feira também pode alterar a contagem. A polícia não divulgou o nome do homem. Natacha é a segunda mulher mencionada entre os casos recentes da capital; considerando o caso sob investigação, Porto Alegre soma 13 vítimas de feminicídio em 2026, de acordo com os dados apresentados. No ano passado, a cidade registrou seis vítimas em todo o ano, número que já foi ultrapassado em 2026.
O total estadual de 62 casos é condicionado à confirmação da natureza do crime contra Natacha. A contagem inclui ocorrências em 42 municípios e corresponde a uma média aproximada de três feminicídios a cada duas semanas, conforme o balanço divulgado. Os dados de janeiro a agosto — 54 feminicídios — têm período de referência diferente desse total atualizado com ocorrências posteriores.
No mesmo intervalo de janeiro a agosto, 573 homens foram vítimas de homicídio doloso no Rio Grande do Sul. O termo designa o crime em que há intenção de matar. Segundo a polícia, o crime organizado é o principal motivo por trás dessas mortes, enquanto os assassinatos de mulheres classificados como homicídios têm causas variadas.
Para entender
- Feminicídio
- É o assassinato de uma mulher em contexto de violência de gênero. A classificação considera as circunstâncias do crime, que pode ocorrer em relações íntimas ou em outros contextos, como violência sexual ou misoginia.
- Homicídio doloso
- É o crime de matar alguém com intenção. A expressão distingue esse tipo de homicídio dos casos em que a morte ocorre sem intenção, conforme as definições previstas na legislação penal.