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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Starlink amplia internet para celular com operadoras no Brasil

O serviço direct to device começou com a Vivo e usa satélites para conectar celulares compatíveis em áreas sem cobertura terrestre, inicialmente com mensagens e chamadas de voz.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pessoa usa um celular em uma área aberta, com um satélite visível no céu. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pessoa usa um celular em uma área aberta, com um satélite visível no céu.
Resumo em 30 segundos

A Starlink pretende expandir no Brasil a conexão direta entre satélites e celulares por meio de parcerias com operadoras, sem criar uma rede móvel própria. O serviço começou com a Vivo após autorização da Anatel para uso da faixa de 2 GHz. Por enquanto, oferece recursos básicos e depende de céu aberto e aparelhos compatíveis.

A Starlink pretende ampliar no Brasil o serviço de conexão direta entre satélites e celulares em parceria com operadoras móveis, sem oferecer uma rede móvel própria no país, afirmou Sharon Zhang, diretora de política regulatória de satélites da empresa. A tecnologia, chamada direct to device (D2D), começou a ser oferecida pela Vivo depois de autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para uso da faixa de 2 GHz.

A companhia considera o Brasil seu segundo maior mercado, atrás apenas dos Estados Unidos, com cerca de 1 milhão de clientes de banda larga via satélite. Essa modalidade tradicional usa uma antena e um roteador instalados no solo para captar o sinal e atende principalmente pessoas em áreas rurais, florestais ou com cobertura terrestre limitada.

O D2D funciona de outra maneira: celulares compatíveis podem se comunicar diretamente com satélites, sem a antena externa usada no serviço fixo. No início, a conexão oferece recursos básicos, como mensagens e chamadas de voz. A Starlink prevê ampliar as capacidades nos próximos anos, mas isso dependerá de novas gerações de satélites e de aparelhos preparados para operar na frequência autorizada.

Zhang afirmou que cerca de 7 milhões de brasileiros se conectaram à rede durante a primeira semana de testes oficiais, antes do lançamento. Segundo ela, a parceria com a Vivo busca atender usuários que perdem o sinal em áreas sem cobertura de torres e antenas terrestres. A executiva não informou quantos desses usuários passaram a contratar o serviço após o início da oferta.

A autorização da Anatel para a Starlink operar D2D na faixa de 2 GHz abriu caminho para o acordo com a Vivo. A frequência é destinada à comunicação entre satélites e celulares, mas, de acordo com Zhang, não permite que o sinal penetre em prédios da mesma forma que faixas terrestres de baixa frequência. Por isso, o serviço deve complementar as redes móveis, e não substituí-las.

A diretora disse que a Starlink está aberta a negociar com outras operadoras brasileiras, embora esteja concentrada atualmente na parceria com a Vivo. “Planejamos ser parceiros. Não temos planos de fazer algo ‘standalone’ (autônomo) no Brasil”, afirmou. Ela descreveu o objetivo como ampliar a cobertura móvel existente, em vez de vender o serviço diretamente ao consumidor como uma operadora independente.

O modelo brasileiro é diferente do que a empresa prepara nos Estados Unidos. No mercado americano, a Starlink comprou licenças de espectro de 800 MHz da Grain Management, em um negócio estimado em US$ 8 bilhões. Essa faixa de frequência é mais adequada para levar o sinal a espaços fechados, como casas e prédios; a empresa também negocia acesso a 80 mil torres para expandir a cobertura.

Nos Estados Unidos, a Starlink poderá disputar clientes com operadoras como Verizon, AT&T e T-Mobile. Zhang afirmou que as condições daquele mercado, incluindo a possibilidade de faturar mais por cliente, favorecem o desenvolvimento de uma rede móvel própria. No Brasil, disse, a estratégia de longo prazo é trabalhar com as operadoras locais, que já mantêm redes terrestres e relações comerciais com os usuários.

A tecnologia também tem limitações físicas: para a comunicação direta, o celular precisa ter condições de alcançar o satélite, sem obstáculos que bloqueiem o sinal. Isso torna a solução mais útil em áreas abertas e em locais onde a rede convencional não chega. A cobertura por satélite pode servir como alternativa em pontos sem serviço móvel, mas não equivale, no estágio atual, à conexão de banda larga disponível nas redes 4G ou 5G.

A Starlink espera que os serviços D2D avancem com o lançamento de satélites de segunda geração, que terão maior capacidade, e com a chegada de celulares habilitados para a frequência de 2 GHz, prevista por Zhang para 2027. A executiva citou como objetivos futuros oferecer velocidades compatíveis com 4G e 5G, ampliar a confiabilidade em situações de emergência e permitir novas funções em áreas sem sinal terrestre.

Sobre debates a respeito de soberania e controle do serviço, Zhang afirmou que a empresa usa infraestrutura de solo no Brasil e opera no país como entidade local regulada. Ela também disse que a Starlink presta serviços de banda larga em cerca de 174 países e mantém internet móvel em perto de 40, sem casos de interrupção deliberada do serviço, segundo a executiva.

Para entender

Direct to device
Tecnologia que permite a comunicação direta entre satélites e celulares compatíveis, sem uma antena externa instalada no solo. A conexão depende de o aparelho alcançar o satélite sem obstáculos e, neste serviço, complementa as redes móveis terrestres.
Faixa de 2 GHz
Faixa de radiofrequência autorizada para a comunicação entre satélites e celulares. Segundo a notícia, ela não oferece a mesma capacidade de penetração em prédios atribuída a faixas terrestres de baixa frequência.

Fontes: Estadão

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