Sete brasileiros conquistam cargos legislativos nas eleições dos EUA
Os eleitos, todos democratas, vão atuar em quatro estados; as eleições de meio de mandato renovam cargos legislativos, mas não escolhem o presidente.
Resumo em 30 segundos
Sete brasileiros foram eleitos ou reeleitos para cargos legislativos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Eles atuarão na Flórida, em Massachusetts, Connecticut e Nevada, todos pelo Partido Democrata. Entre os eleitos estão representantes estaduais e um integrante do Legislativo municipal de Danbury, em Connecticut.
Sete brasileiros foram eleitos ou reeleitos para cargos legislativos nos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). Os representantes atuarão em quatro estados: Flórida, Massachusetts, Connecticut e Nevada; todos são filiados ao Partido Democrata. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (4), após a votação que renovou parte do Congresso e de legislativos estaduais e municipais.
Na Flórida, Felipe Sousa Lazaballet, de 40 anos, venceu a disputa por uma vaga de deputado estadual na região metropolitana de Orlando, com cerca de 63% dos votos. Nascido em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, ele será o primeiro brasileiro eleito para a Assembleia Legislativa do estado e o primeiro imigrante abertamente gay a ocupar o cargo.
Lazaballet chegou aos Estados Unidos na adolescência e passou anos em situação migratória irregular. Ele participou da mobilização por regularização de jovens que chegaram ao país ainda crianças. As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, ocorrem no meio do ciclo presidencial e definem cargos no Congresso e em governos estaduais e locais. A disputa não escolhe o presidente.
Massachusetts teve quatro brasileiros eleitos. Danillo Sena, Priscila Sousa e Rita Mendes conquistaram novos mandatos na Assembleia Legislativa estadual. Sena, nascido em Timbaúba, em Pernambuco, foi eleito pela primeira vez em 2020 e é beneficiário do Daca, programa criado durante o governo de Barack Obama para proteger da deportação e permitir a autorização de trabalho a pessoas que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças.
Priscila Sousa, natural de Ipatinga, em Minas Gerais, havia chegado ao país aos sete anos. Ela obteve o green card em 2004, aos 16, e depois se tornou cidadã americana. Rita Mendes, de 42 anos, nasceu em Conselheiro Pena, também em Minas, e ocupa uma cadeira legislativa desde janeiro de 2023. Antes, trabalhou como advogada e integrou um conselho municipal.
A mato-grossense Lorena Betts foi eleita pela primeira vez para a Câmara de Massachusetts. Ela trabalhava como enfermeira em Holambra, no interior paulista, quando foi aos Estados Unidos em 2011 por um programa de au pair. Depois de atuar como intérprete em um tribunal de imigração em Boston, aproximou-se da política e trabalhou como assessora legislativa de Sena.
Em Connecticut, Farley Santos foi reeleito para o Legislativo municipal de Danbury, onde exerce o cargo desde 2023. Ele chegou aos Estados Unidos aos sete anos e viveu inicialmente sem situação migratória regular. Após a vitória, escreveu nas redes sociais que não imaginava representar a comunidade que acolheu sua família e afirmou que seguirá trabalhando pela cidade.
Em Nevada, Elaine Marzola conquistou outro mandato na Assembleia estadual. Nascida no Rio de Janeiro, ela chegou a Las Vegas ainda criança, em 1984, com os pais, e se formou em direito pela Faculdade Thomas M. Cooley, ligada à Universidade de Michigan.
Para entender
- Daca
- O Deferred Action for Childhood Arrivals é uma política dos Estados Unidos que pode oferecer proteção temporária contra deportação e autorização de trabalho a pessoas que chegaram ao país ainda crianças e atendem a determinados critérios. O programa não concede, por si só, cidadania nem residência permanente.