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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Senival Moura é preso novamente em caso de lavagem ligado ao PCC

A Justiça determinou a prisão preventiva em 20 de outubro, e a Polícia Civil cumpriu a ordem nesta quarta; o vereador estava solto desde agosto.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Ônibus estacionados em uma garagem de transporte urbano em São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Ônibus estacionados em uma garagem de transporte urbano em São Paulo.
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O vereador de São Paulo Senival Moura (PT) voltou a ser preso preventivamente, por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro ligada ao PCC e à empresa de ônibus Transunião. Ele havia sido detido em junho e solto em agosto. Moura nega as acusações, e sua defesa contestará a decisão judicial.

O vereador de São Paulo Senival Moura (PT) foi preso novamente pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (28), na capital, por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e à empresa de ônibus Transunião. Ele já havia sido detido em junho e estava solto desde agosto, após uma decisão judicial.

A nova prisão preventiva foi determinada pela Justiça no dia 20, depois que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recorreu da soltura. A ordem foi cumprida nesta quarta-feira. O processo tramita sob sigilo.

Moura foi preso pela primeira vez em 25 de junho, na Operação Última Parada, conduzida pelo MP-SP e pela Polícia Civil. A ação investigou cinco pessoas suspeitas de participação no esquema. Em 5 de agosto, a desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a soltura do vereador porque o prazo da prisão temporária havia terminado.

A investigação apura se Moura seria um dos donos de fato da Transunião, que opera linhas de ônibus na Zona Leste da cidade, embora não aparecesse formalmente entre os integrantes da empresa. Segundo os investigadores, pessoas com vínculos diretos ou indiretos com o PCC teriam influência sobre a gestão da frota e o fluxo de dinheiro. Moura, de acordo com a apuração policial, decidiria sobre movimentações financeiras e liberações de repasses.

Planilhas analisadas pelos investigadores indicariam que o vereador seria o beneficiário real de pelo menos 13 ônibus. A propriedade formal dos veículos estaria em nome de familiares, de um assessor parlamentar ou de empresas intermediárias. A Polícia Civil também afirma que Moura movimentou R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022, dos quais R$ 2,47 milhões não teriam origem declarada.

O caso começou a ser investigado após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então diretor-presidente da Transunião, em março de 2020. Ele foi morto no estacionamento de uma padaria no bairro do Lajeado, na Zona Leste. Conforme a investigação, o crime teria relação com disputas pelo controle financeiro e operacional da empresa, suspeita de servir para movimentar recursos ilícitos.

Os investigadores encontraram uma carta manuscrita atribuída ao PCC que, segundo a polícia, sugere que Jorge teria sido assassinado por desviar dinheiro para Moura sem respaldo da facção. A hipótese integra a investigação e não representa uma conclusão judicial sobre a responsabilidade do vereador.

Em nota, a defesa afirmou discordar da prisão preventiva. O advogado Wilson de Almeida Ferreira disse que a decisão não apresenta fundamentação concreta suficiente e se apoia em elementos já incluídos na denúncia, sem demonstrar fatos novos ou atuais que justifiquem a detenção. A defesa informou que adotará medidas judiciais para contestar a ordem e afirmou que Moura provará sua inocência no processo.

O vereador nega envolvimento com organização criminosa ou participação em lavagem de dinheiro, segundo a nota. A defesa também questiona a alegação de risco de continuidade das práticas investigadas e diz que não foram apontados atos recentes individualizados que sustentem esse perigo.

Senival Moura está em seu sexto mandato. Antes de ser preso em junho, ocupava o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara Municipal e presidia a Comissão de Trânsito e Transporte. Para os investigadores, essas funções poderiam permitir influência indireta sobre agentes do setor e interferência na produção de provas.

Fontes: O Globo

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