Ney Santos é eleito deputado federal e segue acusado de ligação com PCC
Com 118.566 votos, ex-prefeito de Embu das Artes teve a candidatura mantida pelo TRE-SP, mas recurso do Ministério Público Eleitoral aguarda julgamento no TSE.
Resumo em 30 segundos
Ney Santos, do Republicanos, foi eleito deputado federal por São Paulo com 118.566 votos. O Ministério Público o aponta como integrante do PCC, acusação que ele nega e pela qual segue réu, sem condenação ou absolvição. A candidatura foi mantida pelo TRE-SP, mas um recurso sobre o registro aguarda análise no TSE.
Ney Santos (Republicanos), ex-prefeito de Embu das Artes, foi eleito deputado federal por São Paulo com 118.566 votos no primeiro turno das eleições de 2026. Ele é apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), acusação que Santos e seus advogados negam; ele permanece réu, sem condenação ou absolvição nesse processo. A candidatura foi mantida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), mas ainda é alvo de recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A votação de Santos equivaleu a 0,5% dos votos válidos no estado. Ele concorreu pelo Republicanos e foi eleito apesar da tentativa do Ministério Público Eleitoral de barrar sua candidatura por suposta ligação com a facção. O órgão argumentou que a presença de um candidato associado a estruturas do crime organizado contrariaria os princípios constitucionais de moralidade e probidade na administração pública.
Em 15 de setembro, o TRE-SP manteve o registro de candidatura por três votos a dois. O Ministério Público Eleitoral recorreu ao TSE em 23 de setembro, e o caso aguarda análise do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques. A impugnação eleitoral e a acusação criminal são processos distintos: a primeira discute se Santos poderia concorrer, enquanto a segunda trata da suspeita de vínculo com o PCC.
Após a vitória nas urnas, Santos agradeceu aos eleitores em uma publicação no Instagram. Ele afirmou que a região teria, pela primeira vez, dois deputados nascidos ali e disse esperar que o mandato “faça a diferença na vida do nosso povo”. A mensagem foi acompanhada por um vídeo de louvação.
Santos foi vereador e depois prefeito de Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo. Foi eleito para a prefeitura em 2016, mas, antes de assumir o cargo, foi denunciado por associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça decretou sua prisão preventiva em dezembro daquele ano; ele ficou foragido até obter um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), no começo do ano seguinte, que lhe permitiu responder ao processo em liberdade e tomar posse. O caso continua aberto na Justiça.
Em outro processo, Santos foi acusado de ajudar a adulterar a numeração de uma arma de fogo. Ele havia sido condenado em primeira instância, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu a decisão na semana anterior à eleição. Em um caso anterior, foi condenado por formação de quadrilha e ficou dois anos preso por roubo a banco.
O MP-SP também o identifica formalmente como integrante do PCC em uma acusação que ele contesta, alegando falta de provas e perseguição por parte da Polícia Civil e do Ministério Público. A condição de réu significa que a acusação segue em julgamento e não equivale a uma condenação. A eleição não encerra os processos nem altera, por si só, a tramitação do recurso eleitoral no TSE.
Santos já havia disputado uma vaga na Câmara dos Deputados em 2010, sem ser eleito. Um levantamento sobre candidatos nas eleições deste ano identificou 23 pessoas investigadas ou formalmente acusadas de ligação com facções ou milícias. Três foram eleitas: dois deputados federais, incluindo Santos, e um deputado estadual; também houve um suplente de senador.
Para entender
- Impugnação eleitoral
- É uma ação que questiona o registro ou a validade de uma candidatura perante a Justiça Eleitoral. Neste caso, discute se Ney Santos podia concorrer; é um processo separado da ação criminal que apura a suspeita de vínculo com o PCC.