Ryanair prevê alta de até 20% nas passagens aéreas da Europa
A pressão vem do combustível de aviação mais caro e da redução de assentos; a estimativa não significa que todos os voos terão o mesmo reajuste.
Resumo em 30 segundos
Michael O’Leary prevê que as passagens aéreas na Europa subam de 10% a 20% no próximo ano. Ele atribui a alta ao combustível mais caro e à menor oferta de assentos, enquanto companhias têm pouca proteção financeira contratada para o combustível a partir de abril de 2027. A previsão não implica reajuste uniforme.
As passagens aéreas na Europa podem subir entre 10% e 20% no próximo ano, em uma alta que o presidente-executivo da Ryanair, Michael O’Leary, classificou como a maior da história do setor no continente. Ele fez a previsão nesta terça-feira, em Bruxelas, e atribuiu a pressão sobre os preços à alta do combustível de aviação e à redução da oferta de assentos por falências e aquisições de companhias.
Segundo O’Leary, as empresas europeias tinham proteção financeira para parte dos custos de combustível em 2026, mas a maioria dispõe de pouca cobertura contratada a partir de abril de 2027. Esse tipo de proteção, conhecido como hedge, permite fixar antecipadamente o preço de uma parte do combustível e reduzir o impacto de oscilações do mercado.
A Ryanair tinha 80% de suas necessidades de combustível cobertas a US$ 67 por barril até março de 2027 quando o conflito começou, no fim de fevereiro, afirmou o executivo. Para o período seguinte, a empresa protegeu apenas 15% dos custos previstos, a US$ 85 por barril. O preço à vista, usado como referência para compras imediatas, estava em torno do dobro desse valor, segundo O’Leary.
A previsão pode elevar o custo das viagens aéreas na Europa, inclusive em companhias de baixo custo como a Ryanair. O preço final de uma passagem também depende de fatores como a rota, a antecedência da compra e a procura; por isso, a estimativa de alta não representa um reajuste uniforme em todos os voos.
O anúncio ocorreu durante uma visita a Bruxelas em que O’Leary informou que a Ryanair retirará 20 rotas e mais de um milhão de assentos de sua programação de inverno na Bélgica. A decisão foi associada aos planos do país de elevar o imposto sobre a aviação de 2 euros para 7 euros em janeiro.
O executivo também manifestou expectativa de que a certificação do Boeing 737 Max 10 nos Estados Unidos seja concluída até o fim de outubro. Se isso ocorrer, a Ryanair espera receber 16 aeronaves do modelo no início de 2027. A certificação está atrasada, e uma falha no software de navegação ameaçou provocar novo adiamento.