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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Romer Saucedo deixa a Bolívia após ordem de prisão por tráfico

O Ministério Público boliviano diz que pedirá alerta vermelho à Interpol, enquanto a Justiça deu seis dias ao magistrado para se apresentar.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fachada do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, em Sucre. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fachada do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, em Sucre.
Resumo em 30 segundos

Romer Saucedo deixou a Bolívia com a família após a emissão de um mandado de prisão por suspeita de tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. O magistrado diz estar exilado e acusa o governo de perseguição. A presidência do Tribunal Supremo de Justiça ficou interinamente com Rosmery Ruiz.

O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país com a família nesta quinta-feira (5), após o Ministério Público emitir um mandado de prisão contra ele por suspeita de tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. O procurador-geral interino, José Armando Urioste, afirmou que pedirá à Interpol um alerta vermelho para a busca internacional do magistrado, de 38 anos.

Saucedo anunciou nas redes sociais que estava no exílio e acusou o governo do presidente Rodrigo Paz de perseguição e intimidação. Também afirmou que teme a fabricação de provas para desacreditá-lo. O juiz não informou onde está; autoridades bolivianas disseram desconhecer seu paradeiro e suspeitam que ele tenha cruzado a fronteira por terra.

Urioste disse que a ordem de prisão foi expedida na quarta-feira (4). A investigação tramita sob sigilo e conta com testemunhas protegidas, segundo o procurador, que não detalhou qual seria a participação de Saucedo nos crimes investigados. Ele afirmou que as apurações continuarão.

Saucedo declarou que deixou o país com a família e que não renunciará à presidência do tribunal. Na quarta-feira, os demais magistrados escolheram a decana Rosmery Ruiz para exercer a função interinamente. Ela informou que Saucedo tem seis dias para se apresentar; se não voltar nesse prazo, poderá perder o cargo.

Paz, que estava na Espanha para a Cúpula Ibero-Americana, relacionou a saída do magistrado a acusações e investigações envolvendo o sistema judiciário. O vice-ministro do Interior, Peter Maldonado, disse que a fuga está ligada ao caso de Roger Mariaca, ex-procurador-geral preso em outubro e investigado por supostos vínculos com o narcotráfico. O governo dos Estados Unidos acusa Mariaca de receber subornos para facilitar o tráfico de drogas e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça.

A saída de Saucedo ocorre após a prisão de outros funcionários do sistema judicial por suspeitas de ligação com o tráfico. O ex-procurador Mariaca foi detido dias depois de os Estados Unidos cancelarem o visto dele e de funcionários e empresários da Bolívia, da Colômbia, do Peru e do Equador. O caso ampliou a tensão entre o governo e integrantes do Judiciário.

O Tribunal Supremo de Justiça é a instância máxima da Justiça comum boliviana. O país também tem o Tribunal Constitucional Plurinacional, responsável por questões relacionadas à Constituição. As principais autoridades judiciais são eleitas pelo voto popular: Saucedo venceu a disputa em Santa Cruz, no fim de 2024, com mais de 700 mil votos, e foi escolhido pelos colegas para presidir o tribunal um mês depois.

A presidência interina de Ruiz mantém o tribunal em funcionamento enquanto se aguarda uma decisão sobre o futuro do cargo. Se Saucedo não se apresentar dentro do prazo, a corte poderá aplicar a regra de substituição. O Ministério Público também pretende recorrer à Interpol, mecanismo de cooperação policial internacional que permite difundir pedidos de localização e prisão entre países.

Fontes: Folha de S.Paulo, Zero Hora, Valor Econômico

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