Romer Saucedo deixa a Bolívia e diz temer pela vida
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça afirma que saiu do país por se sentir perseguido, embora não haja processos abertos contra ele.
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Romer Saucedo anunciou que deixou a Bolívia por temer por sua vida e pela segurança de sua família. O presidente do Tribunal Supremo de Justiça acusou autoridades de preparar acusações contra ele, mas não apresentou provas. Ele seguirá como magistrado e deixará a presidência do tribunal em janeiro de 2027.
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, anunciou nesta quarta-feira, 4 de novembro, que deixou o país. Ele afirmou que sua vida e a de seus familiares estão em risco e acusou o governo de preparar um caso para desacreditá-lo, sem apresentar detalhes ou provas sobre essa alegação.
Em uma publicação nas redes sociais, o magistrado disse que saiu da Bolívia por se sentir perseguido e por questionar o poder político. “Minha liberdade e a vida de toda a minha família correm perigo”, escreveu. Saucedo também afirmou que não há processos abertos contra ele, mas que acredita que eles serão iniciados em breve.
O presidente do TSJ declarou que autoridades estariam construindo acusações com base em mentiras e poderiam forjar provas. Não há ação penal aberta contra Saucedo nem denúncias formais conhecidas contra ele. O magistrado não informou para onde foi e disse que pretende voltar quando considerar que sua liberdade e sua vida não estão ameaçadas.
Saucedo continuará como magistrado, apesar de ter apresentado em 15 de outubro sua renúncia à presidência do tribunal. A saída do cargo deve entrar em vigor em janeiro de 2027. Em julho, ele havia anunciado que renunciaria em meio a uma disputa com o governo do presidente Rodrigo Paz por mais recursos para o Judiciário, e chegou a ameaçar uma greve do órgão.
O magistrado também acusou o governo anterior, de Luis Arce, e as atuais autoridades de promoverem ataques contra ele. Na mensagem, relacionou suas preocupações ao assassinato de Víctor Hugo Claure, magistrado decano do Tribunal Agroambiental, morto a tiros em 30 de abril. Saucedo afirmou que Claure foi morto por ter afetado interesses de pessoas corruptas e responsabilizou quem, segundo ele, encobre o caso.
Quatro pessoas suspeitas de ligação com o assassinato foram detidas, mas a investigação foi colocada sob segredo de justiça. Saucedo disse que teme ter o mesmo destino do colega e que, por isso, decidiu deixar o país. O caso de Claure ainda não foi esclarecido.
Há duas semanas, Saucedo participou ao lado de Paz de um ato de promulgação de uma lei sobre fundos judiciais não reclamados. A norma permitirá transferir esses recursos ao Poder Judiciário quando permanecerem sem reivindicação por cinco anos.