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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Rogério Marinho e Tereza Cristina miram presidência do Senado

Os senadores fazem campanhas paralelas para buscar apoios antes da eleição de fevereiro de 2027, em votação secreta que exige 41 votos para vencer.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Plenário do Senado Federal em Brasília, com as cadeiras azuis e a tribuna ao centro. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário do Senado Federal em Brasília, com as cadeiras azuis e a tribuna ao centro.
Resumo em 30 segundos

Rogério Marinho e Tereza Cristina articulam candidaturas paralelas à presidência do Senado para ampliar apoios contra Davi Alcolumbre. A estratégia prevê que um deles desista em favor do mais competitivo. Como a votação será secreta, porém, os votos não são transferidos automaticamente, e uma união mal coordenada pode favorecer o atual presidente.

Os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) articulam candidaturas paralelas à presidência do Senado, com a intenção de unir os apoios mais adiante e derrotar o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP). A eleição para a Mesa Diretora está prevista para fevereiro de 2027, e a votação será secreta.

Marinho foi oficializado como candidato do PL na quarta-feira (4). Tereza Cristina também confirmou que disputará o comando da Casa. Os dois planejam buscar votos em grupos diferentes: ele, entre a oposição conservadora; ela, entre partidos de centro, parlamentares do agronegócio e senadoras.

A estratégia, descrita como uma “pinça eleitoral”, prevê que os aliados avaliem o alcance de suas campanhas antes de um deles desistir em favor do outro. A intenção é somar apoios que poderiam não migrar imediatamente para um único candidato. A candidatura que demonstrar maior possibilidade de alcançar a maioria seria a escolhida para enfrentar Alcolumbre.

“Comungamos das mesmas bandeiras, dos mesmos propósitos e juntos faremos o possível para derrotarmos o atual presidente, o senador Davi Alcolumbre”, disse Marinho ao anunciar sua candidatura. Ele afirmou que pretende defender a Constituição e não fará da campanha uma iniciativa para atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Marinho também defende o avanço de uma proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, limites a decisões individuais de ministros do STF e mudanças nas competências da Corte. Ele é favorável ao impeachment de ministros em caso de crime de responsabilidade, mas disse que não pretende antecipar julgamentos sobre integrantes do tribunal.

O senador potiguar, do Rio Grande do Norte, é líder do PL, que terá 29 integrantes no Senado em 2027. A estimativa apresentada para sua base inclui ainda três senadores do Novo, totalizando 32 votos. Como são necessários 41 dos 81 votos para vencer, Marinho precisaria atrair pelo menos nove apoios adicionais, inclusive de parlamentares de partidos como Republicanos, PP, MDB, Podemos e PSD.

Tereza Cristina, senadora por Mato Grosso do Sul, busca apoio com uma abordagem mais conciliadora. Ela lidera a bancada do agronegócio e pretende dialogar com partidos do Centrão, entre eles Republicanos, PSD e MDB. Também trabalha para atrair votos da Bancada Feminina, com o argumento de que sua eleição a tornaria a primeira mulher a presidir o Senado.

As estimativas citadas para a senadora indicam entre 12 e 15 votos, principalmente no PP e entre parlamentares ligados ao agronegócio e à bancada feminina. A avaliação de apoiadores é que ela pode crescer entre os partidos de centro por ter menor rejeição. Ao contrário de Marinho, Tereza não coloca o impeachment de ministros do STF no centro de sua campanha e prioriza mudanças no processo legal e a harmonia entre os Poderes.

A posição da senadora também envolve a federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil. A direção da federação anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre, mas Tereza defendeu que cada senador decida como votar. Em 27 de outubro, ela pediu publicamente o “voto livre, soberano e secreto” dos 81 integrantes da Casa.

Alcolumbre, do Amapá, conta com influência sobre a estrutura administrativa do Senado e sobre a distribuição de relatorias e comissões. Ele mantém interlocução com partidos governistas, como PT e PSB, e com legendas de centro, como MDB e PSD. O apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é apontado como uma vantagem na disputa.

O professor da Universidade de São Paulo Rubens Beçak avaliou que as duas candidaturas têm representatividade e podem viabilizar alianças. Ele observou, porém, que os votos não são transferidos automaticamente se um dos candidatos desistir: como a escolha é secreta, cada senador pode decidir individualmente. Uma desistência mal coordenada, portanto, poderia beneficiar Alcolumbre.

Uma eventual união também exigiria um acordo sobre a divisão de espaços na direção do Senado. Entre as possibilidades mencionadas estão a 1ª Vice-Presidência ou o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das principais comissões da Casa. A composição de uma chapa comum teria de convencer os apoiadores de ambos de que os grupos participariam da condução do Senado.

A definição do candidato único dependerá da contagem de apoios e do momento escolhido para anunciar a aliança. Se a convergência ocorrer cedo demais, os adversários poderão tentar atrair parlamentares ainda indecisos; se demorar, poderá transmitir falta de coordenação. Até a eleição, Marinho e Tereza devem seguir testando a disposição das bancadas e negociando com senadores de diferentes partidos.

Fontes: Gazeta do Povo

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