Renan Santos descarta apoio a Lula e Flávio no segundo turno
O ex-candidato diz que não votará e deixará a escolha aos eleitores; ele avalia que uma vitória de Flávio traria maior risco de concentração de poder.
Resumo em 30 segundos
Renan Santos afirmou que não apoiará Lula nem Flávio Bolsonaro no segundo turno e que não pretende votar. O ex-candidato do Missão disse que os eleitores podem escolher livremente e que quer concentrar esforços na organização do partido. Ele recebeu 2,24% dos votos no primeiro turno; pesquisa apontou que 30% de seus eleitores consideram votar em Lula.
Renan Santos (Missão), que terminou em quarto lugar no primeiro turno da eleição presidencial, afirmou que não pretende apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Em entrevista na quarta-feira, ele disse que não vai votar e deixou a decisão aos eleitores.
“Eu não vou votar. A última vez, eu pedi voto nulo. Dessa vez, eu tô falando: ‘votem em quem quiserem’”, declarou. Santos afirmou que não quer vincular o partido a uma das candidaturas e que pretende concentrar esforços na organização do Missão.
Apesar de descartar apoio a Lula, o ex-candidato avaliou que uma vitória de Flávio representaria maior risco de concentração de poder. Para ele, o presidente Lula não teria força para aprovar propostas de emenda à Constituição (PECs) ou outras medidas no Congresso. “Eu acho que, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio”, afirmou.
Santos também disse que não foi procurado por lideranças do PT ou do Centrão para negociar uma aliança e que pretende evitar esse tipo de contato. Após o primeiro turno, ele havia afirmado que não apoiaria nenhum dos dois candidatos e que os integrantes de seu grupo poderiam decidir individualmente como votar.
No primeiro turno, Santos recebeu 2.675.887 votos, equivalentes a 2,24% do total, e ficou na quarta posição. Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), ele concorreu com uma plataforma de direita e buscou apresentar o Missão como uma alternativa tanto ao PT quanto ao bolsonarismo. O partido lançou 483 candidatos nesta eleição e elegeu dois.
A posição de Santos não impede que a campanha de Lula busque o voto de seus eleitores. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) publicou um vídeo dirigido a quem votou no candidato do Missão, argumentando que a direita deveria se distinguir do bolsonarismo. Ela reconheceu que esses eleitores não compartilham necessariamente das mesmas ideias que ela, mas os convidou a considerar a disputa como uma oportunidade de recuperar espaço para a direita.
Uma pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada na terça-feira indicou que 30% dos eleitores que disseram ter votado em Santos consideravam votar em Lula no segundo turno. O levantamento também mostrou abertura semelhante entre eleitores de Augusto Cury (Avante): 41% desse grupo disseram considerar votar no petista. A pesquisa não significa que esses eleitores já tenham decidido seu voto.