Renan Santos diz que não apoia Lula nem Flávio no segundo turno
O candidato do Missão afirma que não foi procurado para negociar alianças e diz que integrantes do MBL podem apoiar Flávio Bolsonaro, se quiserem.
Resumo em 30 segundos
Quarto colocado na eleição presidencial, Renan Santos disse que não foi procurado por lideranças do PT ou do Centrão para negociar apoio no segundo turno. Embora afirme que não apoiará Lula nem Flávio Bolsonaro, declarou que o candidato do PL deve vencer e não se oporá a integrantes do MBL que decidam apoiá-lo. O Missão elegeu dois representantes.
Renan Santos, candidato do partido Missão à Presidência, disse que não foi procurado por lideranças do PT nem do Centrão para negociar apoio no segundo turno. Em entrevista nesta segunda-feira, um dia após a votação, afirmou que pretende se concentrar em prioridades do movimento e da legenda, que estreou nas urnas com dois eleitos.
Quarto colocado na disputa, Santos recebeu mais de 2,6 milhões de votos, equivalentes a 2,24%. Ele afirmou que evitará contatos para tratar de alianças e citou entre as prioridades a estruturação do Missão, a resolução de questões internas do Movimento Brasil Livre (MBL) e o lançamento de um novo álbum de sua banda, Limão Rosa, que também tem a participação do deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei.
Após a apuração, Santos declarou que não apoiaria nem Flávio Bolsonaro (PL) nem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Chamou os dois de “bandidos” e disse que os integrantes do movimento poderiam escolher livremente seu voto. Na entrevista, afirmou que Flávio “deve vencer a eleição no segundo turno” e que não se oporia a membros do MBL que decidissem apoiá-lo. “Não existe direita sem Bolsonaro”, declarou.
Flávio recebeu o apoio do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que terminou em sexto lugar na disputa presidencial. O candidato do PL também tinha viagem prevista para esta terça-feira a Goiás, onde deve formalizar uma aliança com Ronaldo Caiado (PSD), quinto colocado. Augusto Cury (Avante) afirmou que os dois candidatos à frente dele poderiam aproveitar suas propostas, caso tivessem interesse.
Santos avaliou que o resultado ficou abaixo do que esperava tanto para sua campanha quanto para o partido. Segundo ele, o Missão não deve superar a cláusula de barreira e elegeu um deputado estadual e um deputado federal, ambos no mesmo estado. A cláusula estabelece requisitos de desempenho eleitoral para que partidos tenham acesso a recursos públicos e tempo de propaganda no rádio e na televisão.
Ligado ao MBL, Santos concorreu com uma agenda de direita e buscou se distinguir tanto do PT quanto do bolsonarismo. Depois da votação, afirmou que Flávio teve desempenho melhor que o do pai e disse que o PL deverá formar uma base “colossal” no país. O Missão, que disputou a eleição pela primeira vez, elegeu dois representantes entre 483 nomes, segundo os dados citados por Santos.
Para entender
- Cláusula de barreira
- É o conjunto de requisitos de desempenho eleitoral que partidos precisam cumprir para ter acesso a recursos públicos e a tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão.
- Movimento Brasil Livre
- O MBL é um movimento político brasileiro associado à defesa de pautas liberais e conservadoras. Renan Santos é ligado ao grupo, que também participou da criação do partido Missão.