Debate presidencial da Globo é cancelado após decisões judiciais
A repercussão internacional do cancelamento do debate presidencial brasileiro concentrou-se nas decisões judiciais que alteraram as regras e nas desistências dos candidatos.
Resumo em 30 segundos
O cancelamento do debate presidencial previsto para esta sexta-feira, antes do primeiro turno de domingo, repercutiu em veículos internacionais. As matérias destacaram as desistências de Lula e Flávio Bolsonaro e decisões do TSE e do STF que alteraram as regras do programa. A TV Globo afirmou que as determinações geraram insegurança jurídica e interferiram na organização do encontro.
O cancelamento do debate entre os candidatos à Presidência previsto para esta sexta-feira (2), antes do primeiro turno de domingo (4), ganhou destaque em veículos de comunicação de vários países. As notícias ressaltaram decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), além das desistências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A TV Globo afirmou que as determinações causaram “insegurança jurídica” e representaram “interferência indevida” na organização do encontro.
A Associated Press (AP) observou que 158 milhões de eleitores ficaram sem a oportunidade de acompanhar um confronto entre os dois principais candidatos antes da votação. Segundo a agência, foi a primeira vez em 20 anos que os principais concorrentes à Presidência chegaram ao primeiro turno sem participar de um debate público entre si. O Washington Post também publicou a reportagem da AP.
Entre as decisões citadas estava a determinação da ministra Estela Aranha, do TSE, que impediu a Globo de manter no cenário um púlpito vazio reservado a Lula. Em outra decisão, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que a emissora incluísse Renan Santos (Missão) no debate. A Reuters informou que o programa foi cancelado após Lula e Flávio desistirem e as regras previstas serem alteradas por decisões judiciais.
A agência espanhola EFE descreveu a sequência de determinações como uma “cascata de decisões judiciais controversas” e classificou a intervenção da Justiça como inesperada. A publicação também apontou que a situação foi incomum na história recente das eleições brasileiras. O portal chileno Emol destacou a acusação da Globo de interferência indevida e relatou que as decisões exigiram mudanças nas regras previamente discutidas.
O jornal peruano El Comercio informou que o cancelamento ocorreu cerca de uma hora antes do início previsto e mencionou a tradição da Globo na realização de debates eleitorais. A publicação reproduziu a justificativa da emissora de que as determinações de última hora afetaram a liberdade dos veículos para estabelecer as regras dos encontros.
Na Argentina, o La Nación abordou o episódio em uma reportagem sobre os momentos finais da campanha, sob o título “Um debate que nunca aconteceu”. O jornal relatou que Flávio anunciou que não iria após Lula já ter confirmado a ausência. Também mencionou as restrições do TSE ao púlpito vazio e ao uso das falas dos participantes para questionar o presidente ausente. Flávio justificou sua desistência citando o que chamou de “censura imposta” pelo tribunal.
A Al Jazeera também noticiou que os dois candidatos deixaram de participar da última oportunidade de debate antes do primeiro turno. A emissora relacionou a decisão de Flávio à determinação sobre o púlpito reservado a Lula e registrou a alegação de insegurança jurídica apresentada pela Globo.
Quem é quem
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Entre suas atribuições estão organizar e supervisionar eleições, julgar questões eleitorais e editar normas para o processo eleitoral, conforme a legislação do país.
- Supremo Tribunal Federal (STF)
- Instância máxima do Poder Judiciário brasileiro. Cabe ao tribunal, entre outras funções, julgar questões constitucionais e ações previstas na Constituição, com decisões que podem ter impacto em todo o país.
- TV Globo
- Emissora brasileira de televisão aberta integrante do Grupo Globo. Produz programação jornalística e de entretenimento e realiza debates eleitorais em períodos de campanha.