Rio Grande do Sul testa inseticidas para reduzir maruins
Estudo de nove semanas em Três Forquilhas vai medir o efeito das aplicações e investigar a presença do vírus da febre oropouche, sem registro de transmissão local no estado.
Resumo em 30 segundos
O governo do Rio Grande do Sul iniciou em Três Forquilhas um estudo de nove semanas para avaliar se inseticidas reduzem a população de maruins. A pesquisa também vai identificar espécies, horários e ambientes de maior ocorrência e investigar sinais de circulação de vírus. Desde 2024, o estado confirmou dois casos importados de oropouche.
O governo do Rio Grande do Sul começou a testar inseticidas para reduzir a população de maruins em Três Forquilhas, no Litoral Norte. O estudo, coordenado pela Secretaria Estadual da Saúde, terá nove semanas e busca avaliar se as aplicações diminuem a quantidade do inseto que pode transmitir o vírus da febre oropouche.
A pesquisa prevê a coleta de maruins antes e depois da aplicação dos produtos. Os pesquisadores também vão identificar as espécies presentes, os períodos de maior atividade e os ambientes que favorecem a proliferação. O trabalho será feito em áreas residenciais e em locais de cultivo de banana, associados à presença desses insetos.
O estudo ainda vai investigar possíveis sinais de circulação do vírus oropouche e de outros vírus transmitidos por insetos. A iniciativa envolve o Centro Estadual de Vigilância em Saúde, o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Secretaria da Agricultura do Estado e a prefeitura de Três Forquilhas.
Desde o início de 2024, o Rio Grande do Sul confirmou dois casos de febre oropouche, ambos contraídos fora do estado. Até o momento, não há registro de transmissão local. Além de Três Forquilhas, a presença do maruim foi identificada em Dom Pedro de Alcântara, Itati, Maquiné, Mampituba e Terra de Areia.
Ainda não existem protocolos amplamente validados para controlar maruins com inseticidas em situações de risco de transmissão da doença. Por isso, os resultados do estudo poderão ajudar a definir medidas de prevenção mais eficazes. A pesquisa também busca compreender melhor onde e quando o inseto aparece, informações que podem orientar futuras ações de vigilância.
A febre oropouche é transmitida principalmente pela picada de um maruim infectado. O inseto pode adquirir o vírus ao picar uma pessoa ou um animal contaminado e, depois de um período de desenvolvimento do vírus em seu organismo, transmiti-lo em novas picadas.
Os sintomas podem se parecer com os da dengue e incluem dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas, diarreia e mal-estar. Como os sinais não são exclusivos da oropouche, o diagnóstico depende de avaliação médica e exames laboratoriais. Não há tratamento específico: os cuidados incluem repouso, acompanhamento médico e medicamentos para aliviar os sintomas.
Para entender
- Maruim
- Pequeno inseto que pode transmitir o vírus da febre oropouche. A transmissão ocorre quando um maruim infectado pica uma pessoa ou um animal; depois de o vírus se desenvolver no inseto, novas picadas podem transmitir a doença.
- Febre oropouche
- Doença viral transmitida principalmente pela picada de maruim infectado. Pode causar sintomas semelhantes aos da dengue, como dor de cabeça, dores musculares, náuseas e mal-estar. O diagnóstico requer avaliação médica e exames laboratoriais.