Lula e Flávio disputam segundo turno da eleição presidencial
A votação deste domingo define quem governará o Brasil e pode influenciar a política externa, a economia, o meio ambiente e as instituições.
Resumo em 30 segundos
Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao segundo turno após o senador liderar a primeira votação por 2,225 milhões de votos. A abstenção e a disputa pelos votos no Sudeste estão entre os fatores que podem influenciar o resultado. O vencedor também enfrentará desafios de governabilidade e poderá indicar ministros para o STF.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputam neste domingo o segundo turno da eleição presidencial no Brasil, em uma votação acompanhada por veículos internacionais como uma decisão com efeitos sobre a política externa, a economia, o meio ambiente e as instituições do país. A disputa também é vista como relevante para o equilíbrio de forças na América Latina e para a relação brasileira com os Estados Unidos.
Flávio terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, ou 56,1 milhões de votos, contra 45,16% de Lula, que recebeu 53,9 milhões. A diferença foi de 2,225 milhões de votos. Durante a campanha do segundo turno, Lula reduziu a distância, e a disputa chegou à votação final praticamente empatada nas pesquisas.
A abstenção é apontada como um fator capaz de influenciar o resultado. No primeiro turno, 32,9 milhões de eleitores deixaram de votar no Brasil, sem contar os que estavam fora do país. O índice foi especialmente alto no Sudeste, região que concentra 15,1 milhões dessas pessoas e onde os dois candidatos tiveram votações próximas em algumas das maiores cidades.
Entre os cinco maiores municípios do Sudeste — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Guarulhos e Campinas —, 4,3 milhões de eleitores não compareceram às urnas, uma taxa de abstenção de 24%. No conjunto dessas cidades, Flávio obteve 43% dos votos válidos e Lula, 42%. A participação de eleitores que não votaram pode ser decisiva porque as bases mais fiéis dos dois candidatos já estão, em grande medida, definidas.
Lula precisa reduzir a desvantagem no Sudeste, que reúne os maiores colégios eleitorais do país, e preservar a vantagem no Nordeste. No primeiro turno, Flávio venceu em São Paulo por 51,9% a 38,2%, no Rio de Janeiro por 53% a 39,4% e em Minas Gerais por 48,2% a 43,3%. O senador, por sua vez, tenta diminuir a diferença no Nordeste, onde Lula teve 63,8%, ante 30,9% de seu adversário.
A disputa mobiliza eleitores preocupados com temas como custo de vida, dívidas familiares, juros e segurança pública. Embora o governo Lula tenha registrado indicadores favoráveis de emprego e desigualdade, a insatisfação com a situação econômica continua sendo um desafio para o presidente. Flávio defendeu cortes de gastos e uma política mais rígida de combate ao crime; também propôs uma agenda econômica liberal.
A eleição ocorre em meio a divergências sobre o papel do Brasil no cenário internacional. Uma vitória de Flávio poderia aproximar o país do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e deslocar a maior economia latino-americana para a direita, segundo análises publicadas durante a campanha. O contexto inclui tensões entre Brasília e Washington, tarifas comerciais impostas por Trump a produtos brasileiros e críticas do presidente americano à condenação de Jair Bolsonaro.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Flávio prometeu conceder perdão ao pai e também defendeu mudanças constitucionais. As propostas levaram analistas a discutir possíveis efeitos sobre as instituições e o risco de contestação do resultado, embora isso não signifique que uma contestação vá ocorrer.
A escolha também pode influenciar o futuro do Supremo Tribunal Federal (STF). O próximo presidente poderá indicar ao menos três ministros durante o mandato, em razão de aposentadorias previstas. Uma indicação para o tribunal é feita pelo presidente e precisa passar por aprovação do Senado, etapa que integra o processo de composição da corte.
A política ambiental é outro ponto de divergência. O desmatamento na Amazônia caiu ao menor nível desde o início da série histórica, em 1988, mas ambientalistas temem que os avanços sejam revertidos caso Flávio vença. Parlamentares europeus também alertaram que uma mudança na política ambiental brasileira poderia prejudicar o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.
No plano interno, a força da direita no Congresso e as dificuldades para formar apoio político devem influenciar a governabilidade, independentemente do vencedor. O segundo turno define a Presidência, mas a capacidade de aprovar medidas dependerá também da relação do próximo governo com o Legislativo.
A votação deste domingo é o segundo turno da eleição de 2026. Se nenhum candidato obtiver mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados disputam essa etapa, e vence quem receber a maioria dos votos válidos. Eleitores brasileiros que estão fora do país também podem votar para presidente; não há segundo turno para os demais cargos, que são escolhidos no primeiro turno.