Protestos na França pressionam Macron e levam a greve nacional
A greve nacional fechou a Torre Eiffel e acompanhou atos com confrontos em Lyon e Paris; uma escola perto de Toulouse também pegou fogo.
Resumo em 30 segundos
Milhares de pessoas protestaram nesta quinta-feira em cidades francesas contra o governo de Emmanuel Macron, com reivindicações por melhores salários e mais recursos para os serviços públicos. A greve fechou a Torre Eiffel e afetou serviços. Houve confrontos em Lyon e Paris e um incêndio em uma escola perto de Toulouse.
Milhares de pessoas foram às ruas de cidades da França nesta quinta-feira, 5, em uma mobilização nacional contra o governo do presidente Emmanuel Macron. Convocados por sindicatos e apoiados por estudantes, os protestos foram acompanhados por uma greve que afetou serviços e levaram ao fechamento da Torre Eiffel, em Paris.
Em Lyon, centenas de manifestantes entraram em confronto com policiais. O Ministério do Interior atribuiu os episódios a ativistas radicais e afirmou mais tarde que a violência havia sido contida, embora a tensão continuasse elevada. Em Paris, estudantes do ensino médio e outros manifestantes também se enfrentaram com policiais durante a manhã e bloquearam ruas com lixeiras. Um ato maior estava previsto para as 14h, horário local, na Praça da República.
Nos arredores de Toulouse, no sudoeste do país, uma escola de ensino médio pegou fogo depois que manifestantes lançaram artefatos explosivos contra o prédio. Alunos e funcionários foram retirados enquanto os bombeiros combatiam as chamas. O ministro da Educação, Edouard Geffray, classificou o episódio como um “escândalo absoluto”.
As reivindicações incluem salários melhores e mais recursos para os serviços públicos, além de críticas ao custo de vida e às condições da educação. “Nossos salários não acompanharam a inflação”, disse Mehdi Dumontroty, 45, bombeiro que participou do ato em Paris. Ele também defendeu mais recursos para o enfrentamento de crises, citando os incêndios florestais provocados por ondas de calor no verão europeu.
Sophie Binet, secretária-geral da central sindical CGT, estimou que cerca de 250 mil pessoas participavam dos atos em todo o país. Já estimativas do serviço de inteligência interna francês citadas em relatos sobre a mobilização apontavam expectativa de 500 mil a 700 mil participantes nos arredores de Paris. Os números se referem a áreas e estimativas diferentes.
O governo mobilizou cerca de 70 mil policiais em território nacional. Apesar da paralisação, não foram relatados problemas significativos no transporte nesta quinta-feira. O Ministério da Educação informou que pouco mais de 15% dos profissionais do ensino aderiram à greve; outra estimativa divulgada para a rede pública de ensino fundamental indicava previsão de adesão de 17,5% dos professores.
A nova rodada de protestos ocorre após semanas de turbulência social e aumenta a pressão sobre Macron, que enfrenta dificuldades para conter a insatisfação e avançar com medidas de ajuste fiscal. A crise acontece a cinco meses da eleição presidencial. Marine Le Pen, líder de ultradireita, aparece à frente nas pesquisas e tem apresentado os distúrbios como sinal de enfraquecimento do Estado. Na quarta-feira, 4, Macron convocou uma reunião de defesa e segurança para discutir a situação antes dos atos.